Paciente nuligesta, 20 anos, comparece ao consultório de seu ginecologista referindo desejo de iniciar uso de dispositivo intrauterino com levonorgestrel.
A pegadinha é a unidade. O DIU libera levonorgestrel em microgramas por dia.
Câncer de mama atual contraindica DIU hormonal, mas não necessariamente o DIU de cobre.
Amenorreia não é universal e o sangramento irregular é frequente no início do uso.
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Contexto
O dispositivo intrauterino com levonorgestrel libera o progestagênio localmente em quantidades medidas em microgramas por dia. Existem modelos com diferentes cargas, durações e taxas iniciais de liberação.
Seus principais mecanismos são espessamento do muco cervical, supressão endometrial e redução do transporte espermático. A amenorreia não é imediata nem universal: sangramento irregular é comum nos primeiros meses, e cerca de uma em cada cinco usuárias pode apresentar amenorreia ao final do primeiro ano, dependendo do dispositivo.
Câncer de mama atual contraindica o início do DIU com levonorgestrel por se tratar de neoplasia potencialmente hormônio-sensível. Diante de suspeita relevante ainda não esclarecida, deve-se concluir a investigação antes de iniciar o método hormonal.
Há uma divergência técnica no item: candidíase vaginal isolada não é considerada contraindicação absoluta à inserção pelos critérios atuais. Assim, a alternativa D é discutível, mas o gabarito fixo da questão permanece C.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A liberação ocorre em microgramas por dia, não em 15 mg diários, dose centenas de vezes maior.
B) Incorreta. A expressão é absoluta. Alterações citológicas simples podem não impedir o método, mas suspeita ou confirmação de câncer cervical modifica a avaliação e a conduta.
C) Correta (gabarito). Suspeita relevante de carcinoma de mama deve ser esclarecida antes da introdução de um método que libera levonorgestrel.
D) Incorreta. No referencial adotado pela banca, a infecção vaginal deveria ser tratada antes da inserção. Pelos critérios atuais, candidíase isolada geralmente não contraindica o procedimento, o que torna esta alternativa tecnicamente discutível.
E) Incorreta. A amenorreia ocorre em uma minoria das pacientes e está muito distante de 98% após seis meses.