Um paciente de 81 anos, com diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência cardíaca congestiva, é internado para tratamento de pneumonia. Após alguns dias de tratamento com antibióticos e repouso no leito, ele começa a apresentar distensão abdominal significativa, dor leve e náuseas, mas sem vômitos. Não apresenta sinais clínicos de peritonite aos exames físico e laboratorial. Radiografias do abdômen mostram dilatação importante dos cólons, principalmente no ceco e cólon ascendente, porém sem evidência de obstrução mecânica.
A pegadinha é chamar toda distensão abdominal do internado de íleo. Ogilvie dilata principalmente o cólon direito sem obstrução mecânica.
Comece corrigindo causas reversíveis; neostigmina entra diante de falha ou dilatação relevante.
Bradicardia é o principal efeito agudo da neostigmina, por isso a administração exige monitorização e atropina disponível.
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Contexto
A síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma dilatação importante do cólon sem barreira mecânica. Ocorre principalmente em idosos hospitalizados, imobilizados e portadores de infecção, insuficiência cardíaca, doença respiratória, trauma ou distúrbios metabólicos.
A dilatação predomina no ceco e no cólon direito. O risco de isquemia e perfuração aumenta quando o diâmetro cecal ultrapassa aproximadamente 12 cm ou quando a distensão persiste por vários dias. Tomografia ou enema hidrossolúvel podem ser usados para excluir obstrução anatômica.
A Diretriz da American Society for Gastrointestinal Endoscopy de 2020 recomenda inicialmente jejum, correção eletrolítica, suspensão de opioides e anticolinérgicos, mobilização, tratamento da doença precipitante e descompressão por sondas quando indicada. Se não houver resposta em 48 a 72 horas, ou se houver dilatação relevante sem isquemia ou perfuração, utiliza-se neostigmina intravenosa sob monitorização cardíaca e com atropina disponível.
Há uma divergência entre a sequência atual e a redação da questão. A alternativa A identifica corretamente o diagnóstico e a principal terapia farmacológica, mas a neostigmina não precede obrigatoriamente as medidas conservadoras em todo paciente recém-diagnosticado.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A dilatação predominante do cólon direito sem obstrução mecânica caracteriza síndrome de Ogilvie, e a neostigmina é a terapia farmacológica de escolha quando o suporte inicial falha ou a distensão exige descompressão rápida.
B) Incorreta. Colite por Clostridioides difficile costuma causar diarreia, dor, leucocitose e colite. Metronidazol também deixou de ser a primeira opção nos quadros não fulminantes.
C) Incorreta. Bridas produzem obstrução mecânica, mais frequentemente do intestino delgado. A imagem mostrou dilatação sem barreira anatômica.
D) Incorreta. Volvo de sigmoide causa dilatação predominante do sigmoide e imagem característica em grão de café, não dilatação do ceco e cólon ascendente.
E) Incorreta. Reposição eletrolítica e mobilização fazem parte do manejo inicial, mas o diagnóstico não é íleo paralítico. No íleo, a dilatação costuma envolver difusamente intestino delgado e cólon.