Rodrigo, 48 anos, casado, autônomo, vem à unidade básica de saúde se queixando de dores de cabeça de repetição e apresentando PA = 165 x 90 mmHg. Em seu prontuário, identifica-se que, nas últimas 5 consultas, no último ano, por motivos diversos, sua pressão arterial foi, respectivamente, de 147 x 99 mmHg; 180 x 100 mmHg; 152 x 90 mmHg; 160 x 95 mmHg e 170 x 92 mmHg. Rodrigo tem história familiar de hipertensão e é sedentário.
A pegadinha é diagnosticar hipertensão por fator de risco ou sintoma. Quem define é a pressão persistentemente elevada.
No consultório, o ponto de corte brasileiro permanece 140 por 90 mmHg.
MAPA e MRPA distinguem hipertensão sustentada, avental branco e hipertensão mascarada.
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Contexto
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 define hipertensão no consultório por pressão arterial sistólica igual ou superior a 140 mmHg e/ou diastólica igual ou superior a 90 mmHg, obtida com técnica adequada e confirmada por medidas em ocasiões diferentes.
Rodrigo apresentou seis aferições elevadas ao longo de um ano, incluindo valores entre 147 e 180 mmHg de pressão sistólica. Essa repetição demonstra que a elevação não é explicada apenas por dor, ansiedade ou uma situação aguda.
MAPA ou MRPA são recomendadas quando disponíveis para confirmar o diagnóstico, identificar hipertensão do avental branco e detectar hipertensão mascarada. Entretanto, a ausência desses exames não invalida o diagnóstico diante de múltiplas medidas elevadas em consultas diferentes.
História familiar, sedentarismo, idade, excesso de peso e consumo de sódio aumentam o risco, mas não são critérios diagnósticos por si mesmos. Cefaleia também é inespecífica e não mede a gravidade da hipertensão.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Uma aferição isolada em pronto atendimento pode ser influenciada por dor, estresse ou doença aguda e deve ser confirmada fora desse contexto.
B) Incorreta. Sedentarismo é fator de risco cardiovascular modificável, mas não estabelece o diagnóstico.
C) Incorreta. História familiar aumenta a predisposição genética, porém não demonstra que a pressão da pessoa está persistentemente elevada.
D) Correta (gabarito). A presença reiterada de valores acima de 140 por 90 mmHg em consultas distintas confirma elevação persistente compatível com hipertensão arterial.
E) Incorreta. A prevalência aumenta com a idade, mas ter 48 anos não define a doença sem medidas pressóricas alteradas.