Paciente de 32 anos foi à consulta ginecológica de rotina para realização de colpocitologia oncótica. O exame evidenciou agrupamento de células escamosas com núcleos aumentados, hipercrômicos e irregulares, com alta relação núcleo-citoplasmática sugestiva de lesão intraepitelial de alto grau. Como a amostra foi coletada em meio líquido, foi solicitado teste de HPV, que veio positivo para o subtipo 16.
A pegadinha é transformar HPV-16 positivo em exérese automática. Na diretriz brasileira cobrada, HSIL segue para colposcopia.
HPV-16 e HPV-18 são os genótipos de maior relevância oncogênica.
Protocolos internacionais já admitem tratamento acelerado em pacientes selecionadas, mas isso exige avaliação de risco e decisão compartilhada.
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Contexto
A citologia descrita apresenta núcleos aumentados, hipercromáticos e irregulares, com elevada relação núcleo-citoplasma, achados de lesão intraepitelial escamosa de alto grau. HSIL possui risco relevante de neoplasia intraepitelial cervical grau 2 ou 3 e exige investigação rápida.
O HPV-16 é o genótipo com maior risco oncogênico e está fortemente associado a lesões precursoras de alto grau e carcinoma escamoso. Pelas diretrizes brasileiras baseadas na citologia, o resultado HSIL determina encaminhamento à colposcopia, independentemente do teste de HPV. O exame permite localizar a lesão, avaliar a zona de transformação e dirigir biópsias.
Há uma divergência possível com protocolos internacionais baseados em risco. Pelas recomendações da ASCCP, mulheres não grávidas com 25 anos ou mais e HSIL associada ao HPV-16 podem receber tratamento excisional acelerado sem biópsia prévia após decisão compartilhada. Essa possibilidade não torna a colposcopia incorreta e não autoriza exérese automática em todas as pacientes. Mantém-se o gabarito C, que corresponde à abordagem diagnóstica brasileira cobrada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A citologia contém alterações inequívocas de alto grau e não permite retorno ao rastreamento de rotina em três anos.
B) Incorreta. HPV-16 não reduz a classificação da lesão. Ele aumenta o risco de lesão precursora avançada e câncer.
C) Correta (gabarito). Trata-se de HSIL associada a genótipo de alto risco oncogênico, com indicação de avaliação colposcópica e confirmação histológica conforme o protocolo brasileiro.
D) Incorreta. HPV-16 é de alto risco oncogênico, e seguimento semestral isolado é insuficiente para uma citologia de alto grau.
E) Incorreta. A exérese imediata pode ser discutida em protocolos internacionais e pacientes selecionadas, mas não é obrigatória apenas pela positividade para HPV-16 e não corresponde ao fluxo solicitado pela questão.