Uma paciente de 24 anos, saudável, é usuária de dispositivo intrauterino de cobre. Refere vida sexual ativa com uso de preservativos e última menstruação há 10 dias. Há 2 horas, iniciou-se uma dor de instalação aguda, de padrão constante, em fossa ilíaca direita, sem irradiação, associada a náuseas e vômitos. Nega sangramento vaginal, febre, dor lombar, mudança de hábito intestinal ou urinário. A ultrassonografia transvaginal evidenciou aumento do ovário direito, comprometimento do fluxo sanguíneo em região anexial do mesmo lado e líquido livre em fundo de saco.
A pegadinha é excluir torção porque ainda existe fluxo ao Doppler. Fluxo preservado não afasta torção anexial.
Dor súbita com náuseas e vômitos é a combinação mais repetida pelas bancas.
A confirmação e o tratamento são cirúrgicos, com destorção precoce e preservação ovariana.
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Contexto
Dor pélvica unilateral de início súbito, constante e acompanhada de náuseas e vômitos é o padrão clássico da torção anexial. A rotação do ovário e, frequentemente, da tuba ao redor do pedículo infundibulopélvico e útero-ovariano compromete primeiro o retorno venoso e linfático, causando edema e aumento ovariano. Com a progressão, ocorre redução do fluxo arterial, isquemia e necrose.
Na ultrassonografia, ovário aumentado, edema, folículos periféricos, líquido livre e redução do fluxo ao Doppler reforçam a suspeita. Segundo o ACOG Committee Opinion de 2019, a presença de fluxo arterial não exclui torção, pois o ovário possui irrigação dupla e a torção pode ser intermitente.
O diagnóstico definitivo é cirúrgico. A suspeita clínica forte exige laparoscopia urgente, destorção e preservação do ovário sempre que possível, mesmo quando o anexo apresenta coloração escurecida. A espera por necrose comprovada reduz a possibilidade de recuperação funcional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Gestação ectópica deve ser excluída com teste de gravidez em toda mulher em idade fértil, mas ausência de atraso menstrual e ovário aumentado com comprometimento vascular favorecem torção anexial.
B) Incorreta. Abscesso tubo-ovariano costuma surgir como complicação de doença inflamatória pélvica, com febre, dor de evolução subaguda, leucocitose, secreção cervical e massa anexial complexa.
C) Correta (gabarito). Dor unilateral abrupta, vômitos, aumento do ovário, redução do fluxo e líquido livre caracterizam torção do ovário e da tuba uterina à direita.
D) Incorreta. Apendicite pode causar dor em fossa ilíaca direita, náuseas e vômitos, mas não explica o aumento ovariano com alteração vascular ao Doppler.
E) Incorreta. Pielonefrite costuma causar febre, dor lombar, punho-percussão dolorosa e sintomas urinários, ausentes no caso.