Após um traumatismo torácico contuso, um paciente apresenta sinais de tamponamento cardíaco, incluindo hipotensão, taquicardia, aumento da turgência jugular e pulso fino.
A pegadinha é considerar a pericardiocentese definitiva. No trauma, ela é ponte para drenagem cirúrgica e reparo da lesão.
Sangue coagulado pode impedir a aspiração pela agulha.
Fluido melhora a pré-carga apenas temporariamente; o tratamento é retirar a compressão do coração.
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Contexto
No tamponamento cardíaco traumático, sangue acumula-se no saco pericárdico e eleva a pressão ao redor do coração. A compressão impede o enchimento diastólico, reduz o volume sistólico e causa choque obstrutivo. Hipotensão, turgência jugular e bulhas hipofonéticas formam a tríade de Beck, mas nem todos os elementos estão presentes no trauma agudo.
O ultrassom à beira do leito pode demonstrar líquido pericárdico e sinais de comprometimento hemodinâmico, porém um resultado negativo não exclui tamponamento muito precoce. A prioridade é drenagem imediata associada ao controle da lesão cardíaca.
No trauma, o conteúdo pericárdico frequentemente é sangue coagulado, que pode não ser aspirado por agulha. O ATLS 11 mantém a pericardiocentese como medida temporizadora quando o tratamento cirúrgico não está imediatamente disponível. A solução definitiva é abertura do pericárdio por toracotomia, esternotomia ou janela cirúrgica, com reparo da lesão responsável.
Expansão volêmica pode sustentar transitoriamente a pré-carga, mas não deve atrasar a descompressão. Ventilação com pressão positiva pode reduzir ainda mais o retorno venoso e precipitar colapso, exigindo cautela até o controle do tamponamento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pericardiocentese pode estabilizar temporariamente o paciente, mas pode falhar diante de sangue coagulado e não permite reparar a lesão cardíaca. Não é o tratamento definitivo do tamponamento traumático.
B) Incorreta. Ultrassonografia auxilia no diagnóstico, mas punção aspirativa por agulha fina não constitui estratégia definitiva nem controla hemorragia cardíaca ativa.
C) Incorreta. Fluidos intravenosos podem melhorar temporariamente o enchimento, mas não removem a restrição pericárdica. Monitorar sem descomprimir permite progressão para parada cardíaca.
D) Correta (gabarito). A toracotomia permite abrir o pericárdio, evacuar sangue e coágulos e reparar a fonte hemorrágica, constituindo a abordagem definitiva do tamponamento traumático instável.
E) Incorreta. Dreno torácico remove ar ou sangue do espaço pleural. O líquido do tamponamento está dentro do saco pericárdico e não será drenado por toracostomia convencional.