Uma mulher de 25 anos, sexualmente ativa, sem atraso menstrual, comparece ao ginecologista com uma ultrassonografia transvaginal de rotina que apresentou nódulo de aspecto misto, com áreas hiperecogênicas difusas e sombra acústica posterior no ovário direito medindo 7,0 cm. O ovário esquerdo e o útero não apresentaram alterações à ultrassonografia. Ao toque vaginal, identificou-se a presença de massa móvel, indolor, medindo em torno de 7,0 cm, palpável em região anexial direita.
A pegadinha é interpretar sombra acústica como sinal de carcinoma. No dermoide, ela resulta de gordura, pelos, osso ou dentes.
Teratoma maduro é bilateral em aproximadamente 10% a 15%.
Quanto maior a massa, maior o risco de torção anexial.
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Contexto
Lesão ovariana mista, com componentes hiperecogênicos difusos e sombra acústica posterior em mulher jovem, sugere teratoma cístico maduro, também chamado cisto dermoide. A ecogenicidade e a sombra decorrem de gordura, pelos, sebo, cartilagem, osso ou dentes.
É o tumor germinativo ovariano mais frequente e é benigno na grande maioria dos casos. A bilateralidade ocorre em aproximadamente 10% a 15%. Transformação maligna é rara, em torno de 1% a 2%, e ocorre principalmente em mulheres mais velhas, geralmente para carcinoma espinocelular originado do componente ectodérmico.
Massas maiores que 5 cm aumentam o risco de torção anexial. Em mulher jovem com lesão de 7 cm, costuma-se indicar tratamento cirúrgico conservador, preferencialmente cistectomia ovariana, preservando o máximo de parênquima. Histerectomia e retirada bilateral dos ovários seriam excessivas para doença unilateral presumivelmente benigna.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O teratoma cístico maduro é bilateral em cerca de 10% dos casos, podendo chegar a aproximadamente 15% em algumas séries.
B) Incorreta. CA125 não é marcador característico do teratoma maduro e pode estar normal. Ele também não possui especificidade suficiente para definir malignidade ovariana isoladamente.
C) Incorreta. O risco de malignidade é baixo. A principal complicação de uma massa desse tamanho em mulher jovem é torção.
D) Incorreta. Cistoadenocarcinoma seroso é uma neoplasia epitelial, não um subtipo histológico de tumor germinativo.
E) Incorreta. Em paciente jovem com tumor unilateral benigno, busca-se preservar fertilidade com cistectomia ou, quando necessária, ooforectomia unilateral.