Os movimentos antivacina, causados por um sistema de desinformação, trazem muitos danos para as pessoas não vacinadas, pois já está mais que provado pela ciência que vacinas são muito efetivas e salvam vidas. Uma dessas doenças preveníveis por vacinas tem como manifestação clínica típica a presença de placas pseudomembranosas branco-acinzentadas, aderentes, que se instalam nas amígdalas e invadem estruturas vizinhas. Essas placas podem se localizar na faringe, na laringe e nas fossas nasais; e, com menos frequência, também são observadas na conjuntiva, na pele, no conduto auditivo, na vulva, no pênis (pós- circuncisão) e no cordão umbilical. A doença manifesta-se clinicamente por comprometimento do estado geral do paciente, que pode se apresentar prostrado e pálido. A dor de garganta é discreta, independentemente da localização ou da quantidade de placas existentes, e a febre normalmente não é muito elevada, variando de 37,5 °C a 38,5 °C, embora temperaturas mais altas não afastem o diagnóstico. Nos casos mais graves, há intenso edema do pescoço, com grande aumento dos gânglios linfáticos dessa área (pescoço taurino) e edema periganglionar nas cadeias cervicais e submandibulares. Dependendo do tamanho e da localização da placa pseudomembranosa, pode ocorrer asfixia mecânica aguda no paciente, o que muitas vezes exige imediata traqueostomia para evitar a morte.
A pegadinha é chamar a pseudomembrana de exsudato de amigdalite. Na difteria, a placa adere e sangra ao ser removida.
Pescoço taurino indica forma grave e risco de obstrução das vias aéreas.
Administre antitoxina diante da suspeita clínica; esprar cultura permite que mais toxina se fixe aos tecidos.
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Contexto
A difteria é causada por cepas toxigênicas de Corynebacterium diphtheriae ou, menos frequentemente, outras espécies toxigênicas. A toxina inativa o fator de elongação 2 e interrompe a síntese proteica, provocando necrose local e toxicidade sistêmica.
A lesão característica é uma pseudomembrana branco-acinzentada, espessa e firmemente aderida à mucosa. Ela contém fibrina, células necróticas, leucócitos e bactérias. A tentativa de removê-la provoca sangramento, ao contrário do exsudato superficial de uma amigdalite comum.
Nos casos graves, edema cervical e linfadenomegalia formam o pescoço taurino. A toxina pode causar miocardite, arritmias, insuficiência cardíaca, neuropatias e paralisia, mesmo quando a febre e a dor de garganta são discretas.
Diante da suspeita clínica, o soro antidiftérico deve ser administrado rapidamente em ambiente hospitalar, sem esperar a cultura, porque neutraliza apenas a toxina ainda circulante. Antibiótico, isolamento respiratório e investigação e profilaxia dos contatos completam a abordagem.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Vírus sincicial respiratório causa principalmente bronquiolite e pneumonia em lactentes, com sibilância, taquipneia e esforço respiratório, sem pseudomembrana aderente.
B) Correta (gabarito). Pseudomembrana branco-acinzentada aderente, toxemia com febre pouco elevada e pescoço taurino formam a apresentação clássica da difteria.
C) Incorreta. Faringoamigdalite estreptocócica pode apresentar exsudato purulento, febre e dor intensa, mas o material não forma tipicamente pseudomembrana invasiva e firmemente aderida.
D) Incorreta. Sífilis pode causar lesões mucosas em diferentes fases, mas não produz esse quadro respiratório pseudomembranoso agudo.
E) Incorreta. Sarampo apresenta febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema de progressão craniocaudal.