Geraldo, 37 anos, adscrito à unidade básica de saúde, chega para consulta apresentando sintomas psicóticos. Como parte de seu delírio persecutório, recusa-se a ser medicado e não aceita ser encaminhado para o CAPS.
A pegadinha é confundir recusa com indicação automática de internação. Primeiro avalie risco e capacidade de decisão.
Não confronte diretamente o delírio e não valide seu conteúdo; reconheça o sofrimento.
Mesmo sem aceitar medicação ou CAPS, o usuário não deve ser excluído do acompanhamento.
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Contexto
A recusa de tratamento durante um episódio psicótico exige avaliação clínica cuidadosa, mas não determina automaticamente internação involuntária ou compulsória. É necessário investigar capacidade de decisão, intensidade da desorganização, risco de suicídio ou agressão, autoabandono, intoxicação, abstinência e causas orgânicas.
A Atenção Primária integra a Rede de Atenção Psicossocial e não deve limitar-se a encaminhar o usuário. Acolhimento, escuta sem confronto direto do delírio, avaliação do estado geral, envolvimento de pessoas de confiança e construção gradual de um plano possível ajudam a preservar o vínculo.
Entrevista motivacional significa explorar preocupações, objetivos e ambivalências, respeitando a autonomia possível. Não se deve concordar com o conteúdo delirante, mas é possível reconhecer o medo e o sofrimento associados a ele.
Internação involuntária depende de indicação médica e comunicação nos termos legais. Internação compulsória depende de determinação judicial. Ambas são medidas excepcionais, utilizadas quando alternativas comunitárias são insuficientes diante de risco relevante ou incapacidade grave de autocuidado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Encaminhar coercitivamente sem avaliar risco, necessidades clínicas e barreiras pode romper o vínculo. A UBS deve iniciar o cuidado e articular o CAPS quando possível.
B) Incorreta. Medicação pode ser necessária, mas não deve ser imposta como condição para que o paciente continue sendo acompanhado.
C) Incorreta. O objetivo não é convencer por confronto ou insistência. A abordagem deve compreender a perspectiva do paciente e negociar passos aceitáveis.
D) Correta (gabarito). Acolher, avaliar o quadro clínico e o risco e pactuar acompanhamento compatível com as limitações atuais preserva o cuidado e pode aumentar a adesão.
E) Incorreta. Recusa isolada não autoriza transporte compulsório. É preciso demonstrar risco significativo, incapacidade grave ou outra indicação clínica e cumprir os requisitos legais.