Um homem de 47 anos de idade, fumante há 30 anos e com histórico de consumo de bebidas alcoólicas destiladas, apresenta uma úlcera dolorosa na língua há 3 meses. Relata que a lesão não cicatriza e está aumentando de tamanho. Além disso, nota dificuldade para engolir e dor referida no ouvido. Ao exame físico, observa-se uma úlcera irregular na borda lateral da língua, com margens endurecidas e base infiltrada. Não há linfonodos cervicais palpáveis.
A pegadinha é chamar de trauma uma úlcera dolorosa persistente. Lesão oral que não cicatriza em duas semanas deve ser investigada.
Induração da margem e infiltração da base são sinais clínicos de invasão.
Tabaco e álcool potencializam mutuamente o risco de câncer de boca.
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Contexto
Úlcera oral que persiste por mais de duas semanas, cresce progressivamente e apresenta margens endurecidas e base infiltrada deve ser considerada maligna até prova em contrário. Tabagismo e consumo crônico de álcool destilado atuam de forma sinérgica e constituem os principais fatores de risco para carcinoma espinocelular da cavidade oral.
A borda lateral da língua é um local frequente do carcinoma oral. Disfagia sugere repercussão funcional, enquanto otalgia referida ocorre por compartilhamento de vias sensitivas, especialmente pelo nervo glossofaríngeo. A ausência de linfonodos palpáveis não exclui metástases cervicais ocultas.
O diagnóstico exige biópsia incisional da área mais representativa, incluindo a transição entre tecido normal e lesão, sem colher apenas o centro necrótico. Após confirmação, realizam-se exame completo da cabeça e do pescoço e estadiamento por imagem da lesão primária, linfonodos cervicais e tórax.
O tratamento é definido pelo estágio e pode incluir ressecção da lesão, manejo eletivo ou terapêutico do pescoço e reconstrução. Radioterapia ou quimiorradioterapia são acrescentadas conforme margens, extensão, linfonodos e outros fatores anatomopatológicos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Adenomas de glândulas salivares menores costumam formar nódulos submucosos, e não úlcera infiltrada e progressiva em paciente com fortes fatores carcinogênicos.
B) Incorreta. Candidíase oral produz placas brancas removíveis, eritema ou queilite angular. Não causa tipicamente uma úlcera única com margens endurecidas e base infiltrada.
C) Incorreta. Uma ulceração traumática deve regredir após a remoção do fator causal, geralmente em até duas semanas. Persistência por três meses e aumento progressivo tornam observação isolada perigosa.
D) Incorreta. Líquen plano oral costuma apresentar estrias esbranquiçadas reticulares, placas ou erosões bilaterais. Diante de induração e infiltração, corticoide empírico não deve preceder a biópsia.
E) Correta (gabarito). A apresentação é típica de carcinoma espinocelular da língua. A conduta exige biópsia, estadiamento da cavidade oral e do pescoço e tratamento cirúrgico quando a doença é ressecável.