Pedro Paulo, um homem de 41 anos, foi admitido no pronto-socorro após sofrer queimaduras extensas em um incêndio no seu local de trabalho. Ele apresentava queimaduras de segundo grau que cobriam aproximadamente 45% de sua superfície corporal total (SCT). O paciente pesava 70 kg e estava consciente e lúcido, mas sentia dor intensa e desconforto. Os sinais vitais eram: frequência cardíaca: 120 bpm; pressão arterial de 100/60 mmHg; frequência respiratória de 24 ipm e saturação de oxigênio de 94% em ar ambiente. Seu médico decidiu iniciar a reanimação hídrica imediatamente.
A pegadinha é contar oito horas a partir da admissão. O relógio começa no momento da queimadura.
A questão cobra 4 mL por kg por percentual, mas a ABA 2024 recomenda iniciar adultos com 2 mL por kg por percentual.
Não trate a fórmula como prescrição rígida: ajuste o volume para débito urinário de cerca de 0,5 mL por kg por hora.
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Contexto
Queimaduras de segundo grau em 45% da superfície corporal provocam inflamação sistêmica, aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de água, eletrólitos e proteínas. Em adultos com queimadura superior a 20% da superfície corporal, é necessária ressuscitação venosa formal, preferencialmente com Ringer lactato.
A questão cobra a fórmula clássica de Parkland:
As primeiras 8 horas são contadas a partir do momento da queimadura, não da chegada ao hospital. Se o paciente chegar duas horas depois, a primeira metade precisa ser administrada nas seis horas restantes.
Há divergência com a recomendação mais atual. A diretriz da American Burn Association de 2024 sugere iniciar a ressuscitação do adulto com 2 mL por kg por percentual de superfície queimada, reduzindo o risco de sobrecarga hídrica. Mantém-se o gabarito D porque ele corresponde à fórmula de Parkland clássica cobrada pela prova.
Qualquer fórmula é apenas uma estimativa inicial. O volume deve ser titulado para perfusão, estado mental, lactato e débito urinário, cujo alvo habitual no adulto é aproximadamente 0,5 mL por kg por hora. A administração excessiva causa edema pulmonar, síndrome compartimental abdominal e aprofundamento das lesões.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A dose de 2 mL por kg por percentual aproxima-se da recomendação moderna, mas a alternativa distribui o volume igualmente por 24 horas. A maior parte da perda ocorre nas primeiras horas, exigindo metade do volume nas primeiras 8 horas.
B) Incorreta. O volume é excessivo e a solução salina em grandes quantidades aumenta o risco de acidose metabólica hiperclorêmica. Não existe o ajuste progressivo descrito acima de 50%.
C) Incorreta. O volume de 6 mL por kg por percentual não corresponde à fórmula indicada, e a reposição não é aumentada em 10% conforme o grau da queimadura.
D) Correta (gabarito). A alternativa reproduz a fórmula de Parkland clássica: 4 mL por kg por percentual, com metade nas primeiras 8 horas e metade nas 16 horas seguintes.
E) Incorreta. Albumina não é o fluido inicial usado pela fórmula de Parkland. Na fase precoce, o extravasamento capilar pode levar o coloide para o interstício; seu uso pode ser considerado posteriormente em protocolos selecionados.