Uma paciente de 23 anos realizou ultrassonografia abdominal de rotina, na qual foi observado nódulo sólido de 4 cm de diâmetro no fígado. Foi realizada tomografia abdominal com contraste venoso trifásico, que mostrou lesão hipercaptante, bem circunscrita, com cicatriz central localizada em segmento VII do fígado.
A pegadinha é confundir hiperplasia nodular focal com adenoma. Cicatriz central e retenção de contraste hepatobiliar favorecem hiperplasia nodular focal.
Hiperplasia nodular focal típica não sangra, não maligniza e não precisa ser ressecada.
Adenoma merece maior atenção por risco de hemorragia e transformação maligna.
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Contexto
A hiperplasia nodular focal é uma lesão hepatocelular benigna decorrente de resposta hiperplásica do parênquima a uma alteração vascular arterial. Ocorre predominantemente em mulheres jovens, costuma ser assintomática e apresenta risco desprezível de hemorragia ou transformação maligna.
O padrão característico é uma massa bem delimitada e hipervascular na fase arterial, geralmente homogênea, que se torna semelhante ao restante do fígado nas fases posteriores. A cicatriz central pode apresentar realce tardio por conter tecido fibroso e ductos biliares anormais.
A Diretriz do American College of Gastroenterology de 2024 recomenda ressonância multifásica com contraste hepatobiliar quando ainda é necessário diferenciar hiperplasia nodular focal de adenoma. Quando a imagem é típica, não se indica biópsia, ressecção nem acompanhamento radiológico rotineiro.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Adenoma hepático também pode ser hipervascular em mulher jovem, mas não apresenta tipicamente cicatriz central. Além disso, possui risco de hemorragia e, conforme o subtipo, transformação maligna.
B) Incorreta. Hepatocarcinoma é mais provável em fígado cirrótico, hepatite viral crônica ou outros contextos de alto risco. A paciente jovem sem hepatopatia e com cicatriz central apresenta padrão benigno.
C) Incorreta. Hemangioma apresenta realce nodular periférico descontínuo, seguido de preenchimento centrípeto progressivo.
D) Correta (gabarito). Lesão hipercaptante, bem circunscrita e com cicatriz central em mulher jovem constitui a apresentação clássica da hiperplasia nodular focal.
E) Incorreta. Colangiocarcinoma periférico tende a apresentar realce periférico progressivo, fibrose, retração capsular ou dilatação de ductos, além de ser improvável nessa faixa etária.