Um homem de 26 anos, atlético, em boas condições físicas, se apresenta ao pronto-socorro com dor abdominal intensa no quadrante inferior direito, que começou há 3 dias e piorou progressivamente. Ele relata náuseas, vômitos e febre. Ao exame físico, está taquicárdico, febril (38,5 °C), com defesa muscular e dor à descompressão brusca no quadrante inferior direito. A palpação abdominal revela sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais mostram leucocitose com desvio à esquerda. Uma tomografia computadorizada de abdômen revela apêndice distendido com parede espessada, líquido livre na cavidade abdominal e sinais de abscesso periapendicular.
A pegadinha é chamar de não complicada uma apendicite com abscesso. Perfuração, abscesso ou peritonite definem apendicite complicada.
Peritonite exige controle cirúrgico da fonte, não apenas antibiótico.
A questão cobra cirurgia aberta, mas a diretriz atual favorece laparoscopia quando há experiência e condições técnicas.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Febre, leucocitose com desvio à esquerda, defesa e dor à descompressão brusca demonstram infecção intra-abdominal com irritação peritoneal. Na tomografia, líquido livre e abscesso periapendicular associados a um apêndice distendido e espessado confirmam apendicite complicada por perfuração.
A presença de peritonite exige ressuscitação, antibioticoterapia intravenosa e controle cirúrgico da fonte. Os antibióticos devem cobrir bacilos Gram-negativos entéricos e anaeróbios, com opções como ceftriaxona associada a metronidazol ou esquemas de espectro ampliado conforme gravidade e epidemiologia local.
As Diretrizes de Jerusalém da World Society of Emergency Surgery de 2020 recomendam abordagem laparoscópica como preferencial para apendicite complicada quando há experiência e equipamento disponíveis. A via aberta permanece válida diante de instabilidade, anatomia desfavorável, contaminação extensa ou ausência de recursos.
Existe, portanto, uma divergência parcial com a redação da alternativa B: ela acerta o diagnóstico, a necessidade de operação, drenagem e antibiótico, mas a laparotomia não é obrigatória em todos os pacientes. Mantém-se o gabarito porque é a única alternativa que reconhece perfuração e necessidade de controle imediato da fonte.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Abscesso, líquido livre e sinais peritoneais excluem apendicite não complicada. Embora a laparoscopia possa ser utilizada, o diagnóstico proposto está errado.
B) Correta (gabarito). O paciente apresenta apendicite perfurada com peritonite e necessita de apendicectomia, drenagem da coleção e antibioticoterapia. A via pode ser laparoscópica em centros experientes, apesar de a alternativa especificar abordagem aberta.
C) Incorreta. A posição retrocecal não explica nem modifica a gravidade demonstrada. Observação e antibiótico isolado são inadequados diante de peritonite e deterioração sistêmica.
D) Incorreta. Gastroenterite viral causa diarreia e sintomas difusos, mas não produz defesa localizada, descompressão brusca dolorosa, abscesso periapendicular ou apêndice inflamado na tomografia.
E) Incorreta. Doença inflamatória intestinal pode acometer a região ileocecal, mas a imagem e o quadro agudo demonstram apendicite perfurada. Corticosteroide agravaria a infecção e prejudicaria o controle do foco.