Hepatopatias e icterícia

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 20
ENARE · 2025

Mulher de 65 anos procura o gastroenterologista com queixas de astenia, prurido palmar e plantar e elevação de fosfatase alcalina (1005 UI/ml) e Gama GT (1200 UI/ml). As enzimas hepáticas TGO e TGP estão elevadas (300 e 250 UI/ml, respectivamente) e a bilirrubina total é de 6,0 mg/dl, às custas da bilirrubina direta. Apresenta plaquetopenia de 85.000/mm3, e a ultrassonografia de abdômen aponta alterações compatíveis com doença parenquimatosa crônica do fígado, sem dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas e vesícula biliar anecoica.

A principal hipótese diagnóstica para o caso e o exame complementar a ser solicitado são, respectivamente:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A colangite biliar primária é uma colangiopatia autoimune crônica que destrói progressivamente os pequenos ductos biliares intra-hepáticos. O perfil típico é de mulher de meia-idade ou idosa com prurido, fadiga e elevação predominante de fosfatase alcalina e gama-GT, sem obstrução da árvore biliar na ultrassonografia.

Segundo a atualização da AASLD de 2021, o diagnóstico pode ser estabelecido quando estão presentes pelo menos dois de três critérios:

O anticorpo antimitocôndria, principalmente contra o componente M2, está presente em aproximadamente 90% a 95% dos casos. A biópsia não é obrigatória quando o padrão colestático e a sorologia típica estão presentes, mas pode ser necessária diante de sorologia negativa, aminotransferases muito elevadas ou suspeita de sobreposição com hepatite autoimune.

Plaquetopenia e alterações parenquimatosas sugerem hipertensão portal e doença avançada. Bilirrubina elevada é um marcador prognóstico desfavorável. O tratamento de primeira linha é ácido ursodesoxicólico, com avaliação posterior da resposta bioquímica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. FAN e anticorpo antimúsculo liso auxiliam no diagnóstico de hepatite autoimune, cujo padrão costuma ser hepatocelular, com aminotransferases proporcionalmente mais elevadas do que a fosfatase alcalina.

B) Incorreta. Colangite esclerosante primária é mais frequente em homens e associa-se à doença inflamatória intestinal. A colangiorressonância é preferida à CPER para diagnóstico, procurando estenoses e dilatações multifocais dos ductos.

C) Incorreta. A hipótese de colangite biliar primária é adequada, mas anti-LKM1 é marcador de hepatite autoimune tipo 2, mais frequente em crianças e adultos jovens.

D) Correta (gabarito). Mulher com prurido, colestase intensa e vias biliares não dilatadas apresenta o padrão clássico de colangite biliar primária, cuja principal investigação sorológica é o anticorpo antimitocôndria.

E) Incorreta. Lesão hepática medicamentosa pode assumir padrão colestático, mas não há exposição farmacológica descrita. FAN e antimúsculo liso também não são os testes que melhor discriminam a principal hipótese.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é confundir as colangites autoimunes. Mulher com prurido, fosfatase alcalina alta e ductos normais na imagem sugere colangite biliar primária.

  • Antimitocôndria investiga colangite biliar primária; colangiorressonância investiga colangite esclerosante primária.

  • Prurido pode surgir anos antes da icterícia, enquanto bilirrubina elevada indica doença mais avançada.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Hepatopatias e icterícia” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →