Um homem de 31 anos, previamente saudável, apresenta-se com uma história de 2 anos de disfagia intermitente, principalmente para alimentos sólidos. Relatou 2 episódios de impactação alimentar, com necessidade de endoscopia digestiva alta de urgência. Estava em uso de esomeprazol (40 mg ao dia) há 6 meses, sem melhora significativa dos sintomas de disfagia. Realizou recentemente nova endoscopia, em que a biópsia foi compatível com esofagite eosinofílica, sem estenose esofágica. Foi orientado a restringir alimentos que pudessem estar associados com essa forma de esofagite. Contudo, não houve resposta satisfatória.
A pegadinha é administrar o medicamento como na asma. Na esofagite eosinofílica, o corticosteroide tópico deve ser deglutido.
Não coma nem beba por 30 a 60 minutos após a dose.
Sintomas isolados não medem atividade com segurança; a remissão deve ser avaliada por endoscopia e histologia.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A esofagite eosinofílica é doença inflamatória crônica, imunomediada por antígenos, definida por sintomas de disfunção esofágica e infiltração de pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica. Em adultos, disfagia para sólidos e impactação alimentar são as apresentações mais características.
A Diretriz do American College of Gastroenterology de 2025 reconhece três estratégias anti-inflamatórias iniciais: inibidor da bomba de prótons, dieta de exclusão e corticosteroide tópico deglutido. A escolha depende das preferências, da gravidade e da disponibilidade. Como o paciente não respondeu satisfatoriamente ao IBP nem à dieta e não apresenta estenose, o corticosteroide deglutido é a melhor próxima intervenção.
Fluticasona ou budesonida devem ser deglutidas para revestir a mucosa esofágica, e não inaladas para o pulmão. Recomenda-se administrá-las após as refeições ou antes de dormir e evitar alimentos e líquidos por 30 a 60 minutos. A resposta deve ser confirmada por nova endoscopia com biópsias, pois a melhora dos sintomas não garante remissão histológica.
A dilatação é destinada ao componente fibroestenótico e não trata a inflamação. Terapias biológicas, como dupilumabe, são opções para casos selecionados, especialmente após falha, intolerância ou inadequação das terapias convencionais.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Sucralfato pode proteger a mucosa em algumas lesões, mas não suprime a resposta imune mediada por eosinófilos nem previne fibrose esofágica.
B) Incorreta. A simples troca entre medicamentos da mesma classe tende a acrescentar pouco após seis meses sem resposta clínica. A otimização da dose pode ser considerada, mas não é superior à introdução de outra modalidade anti-inflamatória neste cenário.
C) Incorreta. Terapia biológica é eficaz em pacientes selecionados, mas não precisa preceder o corticosteroide tópico deglutido, uma opção convencional, bem estabelecida e ainda não utilizada.
D) Incorreta. Domperidona aumenta a motilidade gastrointestinal, mas não trata a inflamação eosinofílica, não previne remodelamento e não reduz o risco de impactação.
E) Correta (gabarito). Fluticasona ou budesonida deglutida trata diretamente a inflamação esofágica e é indicada após resposta insatisfatória ao IBP e à dieta, na ausência de estenose que exija dilatação.