Uma mulher de 33 anos comparece ao médico com queixa de leucorreia há 2 semanas, com odor desagradável, que piora após a relação sexual. Ao exame especular, verifica-se conteúdo vaginalaumentado, com coloração branco-acinzentada e algo bolhoso. O colo uterino apresenta mácula rubra de 2,0 cm de diâmetro ao redor do orifício externo, e o muco cervical está com aspecto transparente. A fita de pH vaginal registra resultado de 5,2. O teste do KOH10% exacerbou o odor da leucorreia. Ao toque vaginal, o colo móvel apresenta-se indolor. Realizada a bacterioscopia, visualizaram-se células epiteliais recobertas por cocobacilos Gram variáveis.
A pegadinha é escolher tricomoníase apenas pelo conteúdo algo bolhoso. Células-guia, pH elevado e teste das aminas positivo fecham vaginose.
Clue cells são células epiteliais com bordas obscurecidas por cocobacilos.
O odor de peixe piora após relação sexual porque o sêmen eleva o pH e libera aminas voláteis.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O quadro preenche os critérios clínicos de vaginose bacteriana, uma disbiose vaginal caracterizada pela redução dos lactobacilos produtores de ácido lático e proliferação de anaeróbios, como Gardnerella vaginalis e espécies associadas.
O diagnóstico pelos critérios de Amsel exige pelo menos três de quatro achados:
O CDC STI Treatment Guidelines recomenda metronidazol 500 mg por via oral duas vezes ao dia durante 7 dias como um dos esquemas de primeira linha. Alternativas incluem metronidazol vaginal e clindamicina vaginal.
A aparência discretamente bolhosa e a mácula cervical podem lembrar tricomoníase, mas a presença de células-guia e a ausência de tricomonas móveis na descrição fecham vaginose bacteriana.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fluconazol trata candidíase vulvovaginal, que costuma provocar prurido, eritema, corrimento grumoso e pH vaginal menor ou igual a 4,5.
B) Incorreta. Duchas vaginais alteram ainda mais a microbiota, aumentam recorrência e não erradicam as bactérias associadas à vaginose.
C) Incorreta. Fenticonazol é um antifúngico utilizado contra candidíase e não possui cobertura adequada para a disbiose anaeróbia.
D) Correta (gabarito). Metronidazol 500 mg duas vezes ao dia por 7 dias é um esquema recomendado para vaginose bacteriana sintomática.
E) Incorreta. Clindamicina vaginal isolada pode ser alternativa, mas a combinação com hidrocortisona não corresponde ao esquema recomendado.