Glomerulonefrite e síndrome hemolítico-urêmica

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 57
ENARE · 2025

A síndrome urêmica hemolítica típica (SHU) é uma doença do grupo das microangiopatias trombóticas. São distúrbios caracterizados por anemia hemolítica microangiopática não imune, trombocitopenia e insuficiência multissistêmica. A SHU está associada a infecções intestinais por bactérias produtoras da toxina Shiga, em especial a Escherichia coli enterohemorrágica invasiva (STEC - Shiga-toxin– producing strains of E coli). Carne mal-cozida, especialmente hambúrguer, leite e suco não pasteurizados, além de frutas e vegetais crus, podem estar contaminados por essas bactérias.

A doença geralmente tem início abrupto com quadro de diarreia, muitas vezes com sangue e dor abdominal. Em adultos, geralmente é autolimitada a 5-10 dias. Porém, em crianças, observa-se maior associação à SHU.

Com relação a essa doença em crianças, é correto afirmar que:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A síndrome hemolítico-urêmica típica é uma microangiopatia trombótica desencadeada principalmente por Escherichia coli produtora de toxina Shiga. A toxina liga-se a receptores endoteliais, sobretudo nos rins, causando lesão vascular, ativação plaquetária e formação de microtrombos.

A tríade diagnóstica é:

A Nota Técnica do Ministério da Saúde de 2025 recomenda tratamento de suporte, com atenção ao estado volêmico, diurese, eletrólitos, pressão arterial, transfusão de hemácias quando indicada e diálise nos casos necessários. Antibióticos e antiperistálticos devem ser evitados na suspeita de STEC, pois a lise bacteriana pode aumentar a liberação de toxina Shiga.

Há divergência parcial com o gabarito. Plasmaférese não é tratamento rotineiro da SHU típica em crianças e não demonstrou benefício consistente. Foi empregada historicamente em surtos e casos excepcionais com manifestações neurológicas graves. Mantém-se a alternativa B porque é a única que reconhece o risco dos antibióticos e a possibilidade excepcional de troca plasmática.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ciprofloxacino pode induzir resposta bacteriana ao estresse e aumentar a liberação de toxina, não sendo tratamento de escolha na suspeita de STEC.

B) Correta (gabarito). A antibioticoterapia pode aumentar o risco ou a gravidade da SHU. A plasmaférese já foi utilizada em casos excepcionais, embora o tratamento pediátrico atual seja predominantemente de suporte e não recomende troca plasmática rotineira.

C) Incorreta. Rifaximina associada a fluoroquinolona não deve ser iniciada empiricamente em diarreia hemorrágica suspeita de STEC, pois pode aumentar a exposição à toxina.

D) Incorreta. Vancomicina oral e fidaxomicina são medicamentos contra infecção por Clostridioides difficile e não tratam a microangiopatia por toxina Shiga.

E) Incorreta. Sulfametoxazol com trimetoprima não trata a SHU e pode favorecer liberação adicional de toxina quando administrado durante a enterocolite por STEC.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é prescrever antibiótico para toda diarreia com sangue. Suspeita de STEC pede suporte e evita antibiótico.

  • Diarreia sanguinolenta após carne malpassada deve motivar monitoramento de hemograma, plaquetas, creatinina e diurese.

  • Plasmaférese não é rotina na SHU típica pediátrica, apesar da redação histórica do gabarito.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Glomerulonefrite e síndrome hemolítico-urêmica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →