Apolinário, 86 anos, perfil 3 de funcionalidade, com Alzheimer em estágio avançado, hipertenso, diabético e com imobilidade grau IV, em uso de medicação para as doenças de base, é levado à consulta médica.
A pegadinha é interpretar cuidado paliativo como abandono. Paliar significa tratar sofrimento com metas proporcionais.
Reveja medicamentos cujo benefício demora mais que a expectativa de vida.
Em demência avançada, conforto e suporte ao cuidador podem ser mais relevantes que metas biométricas rígidas.
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Contexto
Demência de Alzheimer avançada associada a imobilidade grau IV indica perda funcional extensa, dependência para atividades básicas, baixa reserva fisiológica e risco elevado de disfagia, infecções, lesões por pressão e delirium.
Cuidados paliativos devem ser introduzidos conforme as necessidades e podem coexistir com tratamentos de doenças crônicas. Em condições progressivas como demência, a fase paliativa pode durar meses ou anos. O objetivo passa a priorizar conforto, dignidade, comunicação com a família e prevenção de intervenções cujo ônus supera o benefício provável.
Metas de pressão e glicemia devem ser individualizadas. Controle excessivamente rigoroso pode causar hipotensão, quedas, síncope ou hipoglicemia. A prescrição deve ser revisada para retirar medicamentos sem benefício sintomático ou cuja prevenção só ocorreria após um período superior à expectativa de vida.
A equipe multiprofissional continua importante, mas o plano pode concentrar-se em conforto, posicionamento, cuidado da pele, alimentação segura, manejo de sintomas e apoio ao cuidador, e não em reabilitação funcional plena.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Metas rigorosas podem causar eventos adversos e não revertem demência avançada ou imobilidade grave. O controle deve ser proporcional ao benefício esperado.
B) Incorreta. Polifarmácia exige revisão sistemática. Medicamentos preventivos, duplicados ou sem benefício atual podem e devem ser desprescritos com segurança.
C) Incorreta. Alzheimer avançado e imobilidade grau IV indicam dependência importante ou completa, não apenas dependência parcial.
D) Incorreta. A equipe multiprofissional deve participar, mas o objetivo central não é necessariamente recuperar funções perdidas. O cuidado pode ser predominantemente paliativo.
E) Correta (gabarito). O conjunto clínico é compatível com necessidade de cuidados paliativos prolongados e pode representar fase final de vida conforme evolução, complicações e prognóstico individual.