Com queixa de dor de cabeça, Jéssica, 37 anos, diarista, vai pela primeira vez à unidade básica de saúde. Ela reporta: “Doutor, sinto essa dor há mais de 2 meses, desde que precisamos sair da nossa casa porque não dava mais para pagar o aluguel depois que meu marido foi demitido do emprego. Na minha casa somos eu, meu marido e três filhas de 4, 6 e 14 anos”.
A pegadinha é confundir fase trabalhosa com crise acidental. Normativa é previsível; acidental é inesperada.
Desemprego, desastre, violência e morte precoce são exemplos clássicos de crises não normativas.
Queixas físicas podem ser agravadas por sofrimento social, mas não devem ser automaticamente classificadas como psicogênicas.
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Contexto
O ciclo de vida familiar é composto por transições previsíveis, chamadas crises normativas, e por eventos inesperados que desorganizam o funcionamento da família, chamados crises acidentais ou não normativas.
O desemprego do marido provocou perda da renda e mudança forçada de moradia. A cefaleia de Jéssica surge no mesmo período, mostrando como fatores sociais e crises familiares podem repercutir sobre a saúde, sem que isso dispense a investigação clínica da dor.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ter filhos pequenos é uma etapa previsível do ciclo familiar e representa uma transição normativa.
B) Incorreta. Estágio tardio é uma fase esperada do ciclo de vida e não corresponde à composição familiar descrita.
C) Correta (gabarito). Desemprego é um acontecimento inesperado que compromete renda, moradia e organização familiar, caracterizando crise acidental.
D) Incorreta. A presença de crianças em idade escolar representa uma etapa normativa, ainda que imponha desafios de adaptação.
E) Incorreta. A adolescência de uma filha é uma transição esperada do desenvolvimento familiar, não um evento acidental.