Abordagem familiar

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Questão 93
ENARE · 2025

Vanda, 92 anos, hipertensa, com diagnóstico de Alzheimer há 16 anos, acamada, estável, sem lesões por pressão, sem histórico recente de internação, tem uma filha, Joana, de 68 anos, que faz o manejo diário: banho no leito, administração de medicação, dieta enteral, mudança de decúbito. A filha está bem orientada e procura se informar sobre o quadro e as melhores condutas.

Nesse caso, o plano terapêutico singular deve:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O plano terapêutico singular deve considerar simultaneamente as necessidades da pessoa dependente, a capacidade da família e a situação de quem realiza o cuidado cotidiano. Vanda apresenta doença avançada e dependência completa, mas está clinicamente estável, sem lesões por pressão ou internações recentes, e recebe cuidado domiciliar organizado.

A filha de 68 anos realiza banho, dieta enteral, medicamentos e mudanças de decúbito. Essa concentração de tarefas aumenta o risco de sobrecarga física, emocional, financeira e social, mesmo quando a cuidadora parece bem orientada. A APS deve avaliar periodicamente sono, dor, sintomas depressivos, isolamento, dificuldades práticas e necessidade de divisão das responsabilidades.

O acompanhamento longitudinal pela equipe de referência deve incluir visitas domiciliares conforme necessidade, revisão de medicamentos, prevenção de lesões por pressão, avaliação da dieta enteral, vacinação, saúde bucal, conforto e planejamento antecipado do cuidado. Encaminhamentos especializados são utilizados quando existe uma demanda concreta, não de forma automática.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A alternativa mantém a coordenação pela APS e inclui o componente frequentemente esquecido: apoio e avaliação regular da sobrecarga da cuidadora.

B) Incorreta. Fisioterapia, fonoaudiologia e geriatria podem ser acionadas diante de objetivos definidos, mas encaminhamentos periódicos automáticos não substituem o acompanhamento longitudinal da equipe territorial.

C) Incorreta. A dieta enteral exige seguimento nutricional quando necessário, mas o caso não descreve potencial ou objetivo específico de reabilitação da deglutição que justifique encaminhamento ao CER.

D) Incorreta. Atenção domiciliar secundária é indicada conforme complexidade clínica e necessidade tecnológica. A estabilidade e a organização atual não exigem transferência automática do cuidado.

E) Incorreta. Uma abordagem paliativa pode integrar o plano, mas a alternativa omite a avaliação sistemática da cuidadora e desloca o acompanhamento para outros serviços sem necessidade demonstrada.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é construir o plano apenas para a paciente. Quem cuida também precisa ser cuidado.

  • A APS continua responsável pelo acompanhamento mesmo quando outros serviços participam.

  • Encaminhamento multiprofissional deve responder a uma necessidade e a um objetivo terapêutico definidos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Abordagem familiar” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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