Hepatites virais

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Questão 19
ENARE · 2025

Um homem de 50 anos em tratamento para hepatite C, com cirrose hepática compensada CHILD PUGH A, tem histórico de falha terapêutica com uso prévio de antivirais de ação direta. O médico assistente do serviço de atenção especializada prescreveu um novo esquema terapêutico, recomendado pelo Ministério da Saúde.

O esquema prescrito foi:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A falha terapêutica após antivirais de ação direta exige um esquema de resgate que combine classes com alta barreira genética e atividade pangenotípica. Em cirrose compensada Child-Pugh A, podem ser utilizados inibidores da protease NS3/4A, como glecaprevir ou voxilaprevir.

A questão foi construída com base em um protocolo no qual sofosbuvir associado a glecaprevir e pibrentasvir por 12 semanas era uma opção de retratamento. Sofosbuvir inibe a polimerase NS5B, glecaprevir inibe a protease NS3/4A e pibrentasvir inibe a proteína NS5A, oferecendo bloqueio em três alvos virais.

Há divergência explícita com a recomendação mais atual. A incorporação da Conitec de 2022 e o relatório preliminar do PCDT de Hepatite C de 2026 recomendam sofosbuvir, velpatasvir e voxilaprevir por 12 semanas para falha a antivirais de ação direta em pessoas sem cirrose ou com cirrose compensada. Mantém-se o gabarito C porque ele corresponde ao esquema cobrado pela referência original da prova.

Inibidores de protease são contraindicados na cirrose descompensada Child-Pugh B ou C, devido ao aumento da exposição ao medicamento e ao risco de toxicidade hepática. Nessa situação, utilizam-se combinações sem inibidor de protease e duração mais prolongada.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Sofosbuvir, velpatasvir e ribavirina por 24 semanas pode ser considerado em contextos de cirrose descompensada, mas não é o esquema de resgate selecionado pela questão para Child-Pugh A.

B) Incorreta. Sofosbuvir e daclatasvir oferecem menor barreira para retratamento e podem repetir classes às quais o vírus já foi exposto, sem o reforço de um inibidor de protease.

C) Correta (gabarito). A associação de sofosbuvir a glecaprevir e pibrentasvir por 12 semanas reúne três classes antivirais e corresponde ao esquema de resgate cobrado pela prova. Atualmente, o SUS prioriza sofosbuvir, velpatasvir e voxilaprevir nesse cenário.

D) Incorreta. Sofosbuvir e velpatasvir por 12 semanas é um esquema pangenotípico de tratamento inicial, mas pode ser insuficiente após falha prévia a antivirais de ação direta.

E) Incorreta. Sofosbuvir e ribavirina constituem uma combinação menos potente, mais tóxica e superada pelos esquemas pangenotípicos modernos de resgate.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é repetir um esquema simples após falha aos antivirais de ação direta. Retratamento exige combinação de alta barreira e múltiplos alvos virais.

  • O gabarito usa SOF mais GLE/PIB, mas a recomendação atual para cirrose compensada é SOF/VEL/VOX por 12 semanas.

  • Glecaprevir e voxilaprevir são inibidores de protease e não devem ser usados em Child-Pugh B ou C.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Hepatites virais” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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