Pegadinha central: colecistectomia na pancreatite biliar leve deve ser precoce na mesma internação, mas não é a primeira medida antes de estabilizar e definir etiologia.
Opioide pode ser usado na pancreatite aguda.
USG de abdome procura principalmente causa biliar.
Hidratação deve ser precoce, porém individualizada e reavaliada para evitar sobrecarga.
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Contexto
O tratamento inicial da pancreatite aguda é predominantemente de suporte: avaliação de gravidade, reposição volêmica individualizada, analgesia eficaz, correção de distúrbios e investigação da causa. A diretriz do American College of Gastroenterology de 2024 reforça hidratação precoce com reavaliação frequente, preferência por solução de Ringer lactato em muitos cenários, alimentação enteral precoce conforme tolerância e colecistectomia na mesma internação quando se trata de pancreatite biliar leve.
A ultrassonografia abdominal é indicada para pesquisar litíase biliar. Opioides podem ser usados para analgesia, sem a antiga restrição baseada em espasmo do esfíncter de Oddi. A colecistectomia, por sua vez, não é uma conduta imediata para todo paciente recém-diagnosticado. Ela depende de etiologia biliar e gravidade. Na pancreatite biliar leve, deve ser realizada precocemente na mesma internação, após estabilização; em pancreatite grave ou com coleções e necrose, o momento pode ser postergado.
Quanto ao oxigênio, a formulação da alternativa E reflete a abordagem clássica de suporte. Na prática atual, oxigenoterapia é indicada quando há hipoxemia ou necessidade clínica, não obrigatoriamente para todo paciente normoxêmico apenas para perseguir saturação acima de 95%. Essa atualização não altera o gabarito, porque a colecistectomia com colangiografia intraoperatória continua sendo a única opção claramente inadequada como medida imediata e universal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A hidratação intravenosa faz parte do manejo inicial, com objetivo de corrigir hipovolemia e preservar perfusão renal e sistêmica. O erro seria fazer reposição agressiva indiscriminada sem reavaliação, especialmente em idosos e cardiopatas.
B) Incorreta. Analgesia sistêmica é indicada e opioides são permitidos quando necessários. A prioridade é controlar adequadamente a dor, associando antieméticos e outras medidas conforme o caso.
C) Incorreta. Ultrassonografia abdominal é apropriada na avaliação etiológica inicial, principalmente para identificar colelitíase, embora não seja o exame que confirma pancreatite quando o diagnóstico já está estabelecido por critérios clínicos e laboratoriais ou de imagem.
D) Correta (gabarito). Colecistectomia com colangiografia intraoperatória não é medida imediata indicada para todo paciente com pancreatite aguda. Primeiro é necessário definir a etiologia e estabilizar o quadro. Se houver pancreatite biliar leve, a colecistectomia deve ocorrer na mesma internação, mas não como intervenção universal no momento inicial.
E) Incorreta. A oxigenação deve ser monitorada e corrigida quando houver hipoxemia. A prova considera oxigenoterapia parte do suporte inicial. Em recomendações atuais, não se exige suplementação de oxigênio para todo paciente já adequadamente saturado.