Paciente de 67 anos, obeso (IMC de 35 kg/m²) e ex-tabagista, com história de longa data de doença do refluxo gastresofágico, iniciou com disfagia para alimentos sólidos há 2 meses e emagrecimento de 10 kg nesse período. Endoscopia digestiva alta demonstrou lesão ulcerada de 3 cm no terço distal do esôfago, ocupando 50% da luz esofágica. Com base no caso, considere as assertivas abaixo.
I - Uma vez confirmado o diagnóstico de câncer de esôfago, o tipo histológico mais provável é adenocarcinoma.
II - A ultrassonografia endoscópica é indispensável para confirmar o diagnóstico de câncer de esôfago.
III - A radiografia contrastada de esôfago é fundamental para determinar a ressecabilidade do tumor.
Pegadinha central: ecoendoscopia estagia; quem confirma câncer é a biópsia pela EDA.
DRGE crônica, obesidade, Barrett e localização distal apontam para adenocarcinoma.
Esofagograma não define ressecabilidade oncológica sozinho.
Em prova, se perguntarem T e N de tumor esofágico potencialmente ressecável, lembre da ecoendoscopia.
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Contexto
O caso apresenta sinais de alarme para neoplasia esofágica: disfagia progressiva para sólidos, perda ponderal importante e lesão ulcerada estenosante. A localização distal, a obesidade e a longa história de doença do refluxo gastroesofágico favorecem adenocarcinoma, frequentemente relacionado à metaplasia intestinal do esôfago de Barrett. O carcinoma espinocelular continua importante no esôfago, mas tem associação mais forte com tabagismo, álcool e localização média ou proximal.
O diagnóstico de câncer de esôfago é estabelecido pela endoscopia digestiva alta com biópsias. A ultrassonografia endoscópica não é necessária para provar que existe câncer. Sua principal função é o estadiamento locorregional, especialmente profundidade de invasão da parede, categoria T, e avaliação de linfonodos regionais, categoria N, quando tecnicamente possível. A tomografia de tórax e abdome e, em situações apropriadas, PET-CT completam o estadiamento à distância. O esofagograma pode demonstrar extensão luminal, estenose e anatomia funcional, mas não define sozinho ressecabilidade oncológica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Apenas a assertiva I é correta. Em um paciente obeso, com refluxo crônico e tumor no terço distal, o adenocarcinoma é o tipo histológico mais provável entre as neoplasias epiteliais comuns do esôfago.
B) Incorreta. A assertiva II é falsa porque a ultrassonografia endoscópica não confirma o diagnóstico histológico. Quem confirma malignidade é a biópsia obtida na endoscopia. A ecoendoscopia entra principalmente no estadiamento T e N.
C) Incorreta. A assertiva III é falsa. Radiografia contrastada do esôfago não é o exame fundamental para decidir ressecabilidade. Essa decisão depende da extensão local, envolvimento de estruturas adjacentes, linfonodos, metástases e condição clínica, avaliados principalmente por métodos de imagem seccional e estadiamento oncológico.
D) Incorreta. Inclui a assertiva II, que é falsa. A presença de uma lesão típica na EDA ainda exige biópsia, e a ecoendoscopia não substitui histologia.
E) Incorreta. Inclui II e III, ambas falsas. A sequência correta é reconhecer o padrão clínico, confirmar por biópsia endoscópica e depois estadiar adequadamente.