Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do parágrafo abaixo.
Homem 28 anos, morador de área rural, sofreu uma queda de bicicleta ao ser mordido por um cachorro. Foi atendido na Unidade de Pronto-Atendimento por ferimento cutâneo profundo na panturrilha direita. O dono do animal garantiu que o mesmo havia sido vacinado. A conduta do plantonista incluiu .........., além de .......... . Cinco dias após o primeiro atendimento, o paciente retornou ao mesmo serviço com queixa de dor local. Ao exame, o ferimento apresentava-se bastante eritematoso a partir das bordas. A conduta foi .......... .
Pegadinha: o gabarito está preso ao protocolo da época. Hoje, cão saudável e observável por 10 dias geralmente não exige vacina antirrábica imediata.
Mordedura: irrigação abundante é uma das medidas que mais reduz risco de infecção e de inoculação viral.
Eritema progressivo e dor após alguns dias sugerem infecção e pedem antibiótico, não apenas analgésico ou anti-inflamatório.
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Contexto
Mordedura profunda de cão exige duas linhas de raciocínio independentes: cuidado da ferida e prevenção da raiva. A medida local imediata é limpeza e irrigação abundante com água e sabão, com retirada de detritos e avaliação de lesões profundas. Feridas por mordedura têm alto risco de inoculação bacteriana e, salvo situações selecionadas, evita-se fechamento primário indiscriminado, especialmente em feridas profundas de membros.
A prova adota o esquema de profilaxia antirrábica vigente à época, no qual uma exposição grave por cão sem sinais de raiva e passível de observação podia levar ao início de vacina associado à observação do animal. O Ministério da Saúde atualizou posteriormente esse fluxo. Desde a Nota Técnica de 2022, cão ou gato sem sinais sugestivos de raiva e passível de observação por 10 dias pode ser apenas observado, sem iniciar profilaxia, independentemente do tipo de exposição; se desaparecer, adoecer ou morrer sem possibilidade de afastar raiva, inicia-se a profilaxia indicada. A vacinação prévia informada pelo dono é dado útil, mas não substitui avaliação do animal.
Cinco dias depois, dor e eritema progressivo a partir das bordas indicam infecção de partes moles. Para mordedura de cão infectada, é necessário antibiótico com cobertura para flora polimicrobiana, incluindo Pasteurella, estreptococos, estafilococos e anaeróbios. Amoxicilina com clavulanato é opção clássica quando não há contraindicação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Sutura primária indiscriminada de ferida profunda de membro aumenta risco infeccioso, e soro antirrábico não é indicado apenas porque a ferida é profunda quando o animal é saudável e observável segundo o contexto cobrado.
B) Incorreta. A lavagem é correta, mas a sutura de rotina é inadequada e a alternativa não contempla tratamento da infecção que apareceu no retorno.
C) Incorreta. A limpeza inicial é correta, mas eritema progressivo sem descrição de necrose ou coleção não exige debridamento como tratamento principal; exige antibioticoterapia.
D) Incorreta. Debridamento e sutura não são rotina para toda mordedura, e anti-inflamatório isolado não trata celulite bacteriana.
E) Correta (gabarito). É a única alternativa que reúne cuidado local inicial, a profilaxia antirrábica conforme o esquema usado pela prova e antibioticoterapia quando surge infecção. A ressalva é que o fluxo antirrábico brasileiro atual para cão saudável e observável mudou, priorizando observação sem vacina inicial.