Síndromes hipertensivas da gestação

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Questão 39
HCPA · 2019

Primigesta de 19 anos, que realiza pré-natal na Unidade Básica de Saúde, apresentou quadro de convulsão tônico-clônica na sala de espera do Centro Obstétrico. Na carteira de pré-natal, havia registro de gestação de 35 semanas, sem intercorrências, e de pressão arterial de 140/90 mmHg na última consulta realizada há 7 dias. A acompanhante informou que a paciente estava se queixando de cefaleia e visão turva. Ao exame físico, encontrava-se inconsciente, com pressão arterial de 170/120 mmHg, frequência respiratória de 16 mpm, SaO2 de 95% e temperatura corporal de 37,2º C. A dinâmica contrátil do útero estava ausente, e os batimentos cardiofetais eram de 120 bpm, sem desacelerações ou acelerações transitórias. O feto encontrava-se em situação longitudinal, em apresentação cefálica, e o colo uterino era médio, posterior e com dilatação de 2 cm.

Com base no quadro clínico, que exame subsidiário, dentre os abaixo, pode ser feito para confirmar a hipótese diagnóstica mais provável?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Convulsão tônico-clônica em gestante de 35 semanas com hipertensão grave, cefaleia e alteração visual configura, na ausência de outra causa evidente, eclâmpsia. O diagnóstico de eclâmpsia é essencialmente clínico e não depende de proteinúria. Da mesma forma, os critérios contemporâneos de pré-eclâmpsia permitem o diagnóstico na presença de hipertensão associada a disfunção de órgão-alvo mesmo sem proteinúria.

A questão, porém, pergunta qual exame subsidiário dentre os oferecidos pode corroborar a hipótese de pré-eclâmpsia subjacente. Nesse contexto, a avaliação da proteinúria é a melhor alternativa disponível. Proteinúria significativa pode ser documentada por relação proteína/creatinina urinária de pelo menos 0,3, por excreção de pelo menos 300 mg em 24 horas ou, quando métodos quantitativos não estão disponíveis, por método semiquantitativo conforme protocolo. Importante: o resultado não deve atrasar o tratamento da eclâmpsia.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Doppler de artérias uterinas e vasos fetais avalia circulação uteroplacentária e repercussão fetal, mas não confirma eclâmpsia.

B) Incorreta. Ressonância de encéfalo é reservada para apresentação atípica, déficit neurológico focal, coma persistente, suspeita de hemorragia, trombose ou outra etiologia neurológica. Não é exame confirmatório de rotina.

C) Incorreta. Creatinina sérica integra a avaliação de gravidade e de disfunção renal, mas não é específica e não é necessária para confirmar eclâmpsia.

D) Incorreta. Eletroencefalografia não é necessária no quadro típico e não distingue de forma útil a eclâmpsia das demais causas de crise no contexto emergencial.

E) Correta (gabarito). Entre as alternativas, a proteinúria é o achado laboratorial clássico que pode corroborar a pré-eclâmpsia associada ao quadro. Pela definição atual, entretanto, eclâmpsia não exige proteinúria para o diagnóstico.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: não espere proteinúria para chamar de eclâmpsia. Convulsão nova em gestante hipertensa com sinais de gravidade é diagnóstico clínico até prova em contrário.

  • Proteinúria ajuda a caracterizar pré-eclâmpsia, mas sua ausência não exclui doença com sinais de órgão-alvo.

  • Exames de imagem cerebral ficam para quadro atípico, sinais focais ou ausência de recuperação neurológica esperada.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Síndromes hipertensivas da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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