Traumatismo cranioencefálico

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Questão 56
HCPA · 2019

Paciente masculino, de 23 anos, foi trazido à Emergência em razão de uma agressão sofrida com objeto contundente na cabeça (“paulada”), sem perda da consciência e com um episódio de vômito. À admissão, encontrava-se em Glasgow 15, sem lesão de continuidade no couro cabeludo e sem déficit neurológico focal, mas queixando-se de cefaleia intensa. Com rápida deterioração neurológica (Glasgow 7), passou a apresentar anisocoria com midríase à direita e hemiparesia esquerda.

Que diagnóstico, dentre os abaixo, é o mais provável?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O padrão descrito é típico de hematoma extradural agudo. O paciente pode estar inicialmente desperto, sofrer breve período de aparente estabilidade e depois deteriorar rapidamente à medida que o hematoma arterial se expande. O chamado intervalo lúcido é clássico, embora não esteja presente em todos os casos.

A fonte mais lembrada é a artéria meníngea média, frequentemente lesada em trauma temporal associado a fratura do osso temporal. O hematoma extradural acumula-se entre a tábua interna do crânio e a dura-máter. Na tomografia, costuma ter formato lentiforme ou biconvexo e é limitado pelas suturas.

A anisocoria com midríase ipsilateral e hemiparesia contralateral sugere herniação uncal com compressão do terceiro nervo craniano e do pedúnculo cerebral. A Brain Trauma Foundation recomenda evacuação cirúrgica o mais rápido possível em paciente com hematoma extradural, Glasgow menor que 9 e anisocoria, exatamente o padrão de gravidade deste caso.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Contusões cerebrais podem piorar nas primeiras horas e causar déficit focal, mas o conjunto intervalo lúcido, deterioração abrupta e anisocoria após trauma fechado é muito mais característico de hematoma extradural.

B) Incorreta. Lesão axonal difusa costuma ocorrer em trauma de alta energia com aceleração e desaceleração e causa rebaixamento de consciência desde o momento do trauma, muitas vezes desproporcional aos achados iniciais de tomografia. Não combina com Glasgow 15 seguido de deterioração focal.

C) Correta (gabarito). Hematoma extradural explica o intervalo lúcido, a piora rápida e os sinais de herniação. É uma emergência neurocirúrgica.

D) Incorreta. Hematoma subdural agudo decorre geralmente de ruptura de veias ponte em trauma de maior energia e frequentemente se associa a lesão cerebral parenquimatosa. Pode causar deterioração rápida, mas o padrão clássico do caso favorece extradural.

E) Incorreta. Hematoma subdural crônico evolui ao longo de dias ou semanas e é mais comum em idosos, pessoas com atrofia cerebral, uso de anticoagulantes ou alcoolismo. Não produz esse quadro hiperapudo imediatamente após trauma.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: intervalo lúcido seguido de deterioração rápida é a assinatura clássica do hematoma extradural.

  • Artéria meníngea média e fratura temporal são associações de alto rendimento.

  • Midríase do mesmo lado da lesão mais hemiparesia contralateral sugere herniação uncal.

  • Glasgow menor que 9 com anisocoria em hematoma extradural exige avaliação cirúrgica imediata.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Traumatismo cranioencefálico” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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