Considere as assertivas sobre tratamento profilático de enxaqueca em crianças e adolescentes.
I - As indicações para o tratamento devem considerar a ocorrência de 2-3 crises/mês, de crises que interferem no desempenho adequado das atividades diárias e de crises que se acompanham de alterações sensitivas ou motoras.
II - Bloqueadores dos canais de cálcio, betabloqueadores, anti-histamínicos, antidepressivos tricíclicos ou anticonvulsivantes podem ser utilizados.
III - A duração do tratamento recomendado situa-se na faixa de 1-3 meses.
Pegadinha central: profilaxia não é feita por 1 a 3 meses e encerrada; quando eficaz, costuma ser mantida por vários meses.
A indicação é baseada em frequência e, principalmente, incapacidade causada pelas crises.
Em pediatria, a evidência dos preventivos é menos robusta do que em adultos, por isso medidas comportamentais e decisão compartilhada têm grande peso.
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Contexto
O objetivo do tratamento profilático da enxaqueca pediátrica é reduzir frequência, intensidade e impacto funcional das crises. A decisão não depende de um número isolado, mas da combinação entre frequência e incapacidade. Crises recorrentes, tipicamente duas ou mais por mês quando incapacitantes, falha do manejo agudo, grande prejuízo escolar/social ou alguns tipos de aura podem justificar prevenção.
As classes usadas historicamente em crianças e adolescentes incluem betabloqueadores, anticonvulsivantes, antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos e, em algumas referências e países, bloqueadores de canais de cálcio. A evidência varia entre fármacos. Diretrizes modernas da American Academy of Neurology e American Headache Society enfatizam decisão compartilhada e reconhecem que a evidência pediátrica é mais limitada do que no adulto; topiramato e propranolol são exemplos frequentemente considerados, e amitriptilina tem melhor suporte quando combinada a terapia cognitivo-comportamental.
A duração de apenas 1 a 3 meses é curta para avaliar e consolidar resposta. Em geral, após titulação e obtenção de benefício, a profilaxia é mantida por vários meses, frequentemente 6 a 12 meses, antes de tentativa de retirada gradual em paciente estável. Por isso, III é falsa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. I está correta, mas II também está.
B) Incorreta. II está correta, mas I também está.
C) Incorreta. III é a assertiva errada: 1 a 3 meses é período insuficiente como duração habitual do tratamento preventivo.
D) Correta (gabarito). I e II correspondem às indicações e classes farmacológicas tradicionalmente aceitas para profilaxia pediátrica; III erra ao propor duração excessivamente curta.
E) Incorreta. O conjunto inclui a assertiva III, que é falsa.