Paciente de 27 anos realizou salpingectomia por gestação ectópica, compatível com 7 semanas, sem intercorrências. Transcorridas 24 horas do procedimento, por se encontrar em bom estado geral, a paciente teve alta hospitalar. No terceiro dia pós-operatório, procurou a Emergência por apresentar sangramento vaginal mais intenso do que o da menstruação habitual. Os sinais vitais estavam normais, e o exame físico não revelou achados dignos de nota, exceto esse sangramento.
Pegadinha: sangramento vaginal após salpingectomia não significa automaticamente hemorragia cirúrgica. Se a paciente está estável e sem dor, pense primeiro em privação hormonal.
Salpingostomia exige maior vigilância para trofoblasto persistente e seguimento do β-hCG; salpingectomia completa, em regra, não.
Sinais de alarme que mudam a conduta incluem instabilidade hemodinâmica, dor abdominal progressiva, síncope, febre ou queda significativa de hemoglobina.
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Contexto
Após a salpingectomia por gestação ectópica, a remoção do tecido trofoblástico provoca queda rápida do β-hCG. Como o β-hCG sustentava o corpo lúteo no início da gestação, sua queda leva à luteólise e à redução de progesterona e estrogênio. O endométrio decidualizado perde o suporte hormonal e descama, produzindo um sangramento uterino de privação esperado, que pode ser mais intenso que a menstruação habitual.
O dado que discrimina este caso é a estabilidade clínica: sinais vitais normais, exame sem dor ou achados abdominais relevantes e sangramento isolado no terceiro dia pós-operatório. Isso não sugere hemorragia intra-abdominal, infecção ou persistência trofoblástica. Após salpingectomia completa, o seguimento seriado do β-hCG geralmente não é necessário, ao contrário do que ocorre após salpingostomia, em que permanece risco de trofoblasto persistente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Endometrite pós-operatória costuma cursar com febre, dor pélvica ou uterina, secreção anormal e sinais inflamatórios. Nada disso está presente. Antimicrobianos e ácido tranexâmico não são indicados para um sangramento hormonal fisiológico em paciente estável.
B) Incorreta. Corpo lúteo hemorrágico produziria principalmente dor pélvica e eventualmente hemoperitônio, não a combinação proposta de β-hCG elevado e hemoglobina reduzida como explicação para sangramento uterino. Após retirada do trofoblasto, espera-se queda do β-hCG.
C) Incorreta. Persistência de β-hCG é preocupação clássica após salpingostomia, porque pode permanecer tecido trofoblástico na tuba. Após salpingectomia sem intercorrências, a probabilidade é muito menor e o quadro clínico apresentado é compatível com sangramento de privação.
D) Incorreta. Não há indicação de antifibrinolítico nem de reintervenção diante de sangramento uterino esperado, sem repercussão hemodinâmica ou achados de complicação cirúrgica.
E) Correta (gabarito). A retirada do trofoblasto reduz o β-hCG, o corpo lúteo involui, ocorre queda dos esteroides ovarianos e a decídua descama. Em paciente estável, a conduta é tranquilizar, orientar sinais de alarme e manter acompanhamento clínico.