Considere as assertivas abaixo sobre a abordagem terapêutica do delirium.
I - Permitir que o paciente tenha períodos ininterruptos de descanso à noite é uma das medidas importantes.
II - Prometazina, acompanhada ou não de haloperidol, é uma alternativa segura para as eventuais agitações psicomotoras.
III - Uso de escopolamina pode estar associado à piora do delirium.
A pegadinha é farmacológica: anticolinérgico piora delirium. Prometazina e escopolamina entram nessa lista.
Delirium se trata primeiro corrigindo precipitantes e organizando ambiente, orientação, sono, mobilidade, visão, audição, hidratação e analgesia.
Antipsicótico é medida de exceção para agitação perigosa, não tratamento de rotina da síndrome.
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Contexto
Delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, de curso flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, geralmente desencadeada por doença clínica, fármacos, distúrbios metabólicos, dor, privação de sono ou mudança ambiental. O tratamento começa pela identificação e correção da causa precipitante e por medidas não farmacológicas. Entre elas estão reorientação frequente, presença de relógio e calendário, uso de óculos e aparelhos auditivos quando necessários, mobilização, hidratação, analgesia adequada e preservação do ciclo sono-vigília. À noite, deve-se reduzir ruído, luz e interrupções desnecessárias, sem omitir cuidados clinicamente indispensáveis.
Medicamentos com ação anticolinérgica são precipitantes clássicos de delirium. Prometazina e escopolamina possuem efeito antimuscarínico e podem provocar ou agravar confusão, sobretudo em idosos. Antipsicóticos não tratam a causa do delirium e não devem ser usados rotineiramente para encurtar sua duração. Podem ser considerados, em baixa dose e por curto período, quando há agitação grave com risco para o próprio paciente ou terceiros e as medidas não farmacológicas foram insuficientes. Haloperidol é uma opção tradicional nesse cenário, com atenção a QT, efeitos extrapiramidais e contraindicações.
Assim, as assertivas I e III estão corretas, enquanto a II é falsa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A assertiva I está correta, mas não é a única. A escopolamina também pode piorar delirium por seu efeito anticolinérgico, tornando a assertiva III correta.
B) Incorreta. A assertiva II é falsa. Prometazina não é uma escolha segura para agitação no delirium porque seu efeito anticolinérgico e sedativo pode agravar a síndrome.
C) Incorreta. A assertiva III está correta, mas a I também está. Medidas de proteção do sono fazem parte do manejo não farmacológico.
D) Correta (gabarito). I e III estão corretas. Preservar o sono e o ciclo circadiano reduz fatores perpetuadores do delirium, enquanto a escopolamina deve ser evitada por sua ação anticolinérgica.
E) Incorreta. Inclui a assertiva II, que está errada. A associação de prometazina com haloperidol não transforma a prometazina em opção segura para delirium.