DRGE e doença ulcerosa péptica

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Questão 66
HCPA · 2019

Considere as assertivas abaixo sobre Helicobacter pylori.

I - As taxas de resistência do Helicobacter pylori para amoxicilina e para claritromicina são altas em muitos países, mas não no Brasil.

II - No tratamento, o uso de doses duplas de inibidores da bomba de prótons (40 mg de omeprazol ou equivalentes, 2 vezes/dia) com antibióticos aumenta as chances de erradicação da bactéria.

III - Em consequência da alta prevalência da infecção pelo Helicobacter pylori em nosso meio, o risco de reinfecção é alto em adultos após o tratamento de erradicação da bactéria.

Quais são corretas?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O sucesso da erradicação do Helicobacter pylori depende de combinação antibiótica adequada, adesão e supressão ácida eficaz. O V Consenso Brasileiro sobre infecção por H. pylori de 2026 e a diretriz do American College of Gastroenterology de 2024 refletem a crescente preocupação com resistência à claritromicina e a necessidade de esquemas mais robustos ou guiados por suscetibilidade quando possível.

A assertiva I é falsa porque junta duas ideias erradas. A resistência à amoxicilina costuma permanecer baixa, inclusive no Brasil, enquanto a resistência à claritromicina é clinicamente relevante e vem aumentando em diversas regiões brasileiras. Portanto, não é correto dizer que as duas apresentam altas taxas no mundo e que isso não ocorre no Brasil.

A supressão ácida melhora a ação dos antibióticos contra o H. pylori. Por isso, os esquemas atuais usam IBP em tomada pelo menos duas vezes ao dia em diversos regimes, e alguns esquemas de alta potência usam doses ou frequências ainda maiores. O princípio cobrado na assertiva II permanece válido: supressão ácida adequada aumenta a chance de erradicação.

Reinfecção verdadeira após erradicação bem-sucedida não deve ser confundida com recrudescência, que é a persistência da mesma infecção após tratamento insuficiente. Em adultos, a reinfecção não é inevitavelmente alta apenas porque a prevalência populacional é elevada. Recorrência precoce deve levantar primeiro a possibilidade de falha de erradicação ou recrudescência.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A assertiva I é falsa: amoxicilina mantém baixa resistência em geral, e claritromicina apresenta resistência relevante também no Brasil.

B) Correta (gabarito). Apenas a assertiva II está correta. Intensificar adequadamente a supressão ácida durante o esquema antibiótico favorece a erradicação.

C) Incorreta. A assertiva III superestima a reinfecção em adultos. Alta prevalência populacional não significa alta taxa anual de reinfecção após cura documentada.

D) Incorreta. II é verdadeira, mas I é falsa pela descrição inadequada dos padrões de resistência.

E) Incorreta. Apenas II está correta; I e III contêm generalizações erradas.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: claritromicina é o antibiótico cuja resistência preocupa; amoxicilina não acompanha esse mesmo padrão de resistência elevada.

  • Erradicação melhora com supressão ácida potente e esquema antibiótico adequado.

  • Recorrência precoce após tratamento sugere recrudescência ou falha terapêutica antes de sugerir nova infecção.

  • Diretrizes recentes reduziram a confiança em terapia tripla empírica com claritromicina quando não se conhece suscetibilidade.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “DRGE e doença ulcerosa péptica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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