Considere as assertivas abaixo sobre Helicobacter pylori.
I - As taxas de resistência do Helicobacter pylori para amoxicilina e para claritromicina são altas em muitos países, mas não no Brasil.
II - No tratamento, o uso de doses duplas de inibidores da bomba de prótons (40 mg de omeprazol ou equivalentes, 2 vezes/dia) com antibióticos aumenta as chances de erradicação da bactéria.
III - Em consequência da alta prevalência da infecção pelo Helicobacter pylori em nosso meio, o risco de reinfecção é alto em adultos após o tratamento de erradicação da bactéria.
Pegadinha central: claritromicina é o antibiótico cuja resistência preocupa; amoxicilina não acompanha esse mesmo padrão de resistência elevada.
Erradicação melhora com supressão ácida potente e esquema antibiótico adequado.
Recorrência precoce após tratamento sugere recrudescência ou falha terapêutica antes de sugerir nova infecção.
Diretrizes recentes reduziram a confiança em terapia tripla empírica com claritromicina quando não se conhece suscetibilidade.
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Contexto
O sucesso da erradicação do Helicobacter pylori depende de combinação antibiótica adequada, adesão e supressão ácida eficaz. O V Consenso Brasileiro sobre infecção por H. pylori de 2026 e a diretriz do American College of Gastroenterology de 2024 refletem a crescente preocupação com resistência à claritromicina e a necessidade de esquemas mais robustos ou guiados por suscetibilidade quando possível.
A assertiva I é falsa porque junta duas ideias erradas. A resistência à amoxicilina costuma permanecer baixa, inclusive no Brasil, enquanto a resistência à claritromicina é clinicamente relevante e vem aumentando em diversas regiões brasileiras. Portanto, não é correto dizer que as duas apresentam altas taxas no mundo e que isso não ocorre no Brasil.
A supressão ácida melhora a ação dos antibióticos contra o H. pylori. Por isso, os esquemas atuais usam IBP em tomada pelo menos duas vezes ao dia em diversos regimes, e alguns esquemas de alta potência usam doses ou frequências ainda maiores. O princípio cobrado na assertiva II permanece válido: supressão ácida adequada aumenta a chance de erradicação.
Reinfecção verdadeira após erradicação bem-sucedida não deve ser confundida com recrudescência, que é a persistência da mesma infecção após tratamento insuficiente. Em adultos, a reinfecção não é inevitavelmente alta apenas porque a prevalência populacional é elevada. Recorrência precoce deve levantar primeiro a possibilidade de falha de erradicação ou recrudescência.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A assertiva I é falsa: amoxicilina mantém baixa resistência em geral, e claritromicina apresenta resistência relevante também no Brasil.
B) Correta (gabarito). Apenas a assertiva II está correta. Intensificar adequadamente a supressão ácida durante o esquema antibiótico favorece a erradicação.
C) Incorreta. A assertiva III superestima a reinfecção em adultos. Alta prevalência populacional não significa alta taxa anual de reinfecção após cura documentada.
D) Incorreta. II é verdadeira, mas I é falsa pela descrição inadequada dos padrões de resistência.
E) Incorreta. Apenas II está correta; I e III contêm generalizações erradas.