Pegadinha central: corticoide antenatal não serve apenas para pulmão; ele também reduz hemorragia intraventricular e mortalidade neonatal.
Surfactante exógeno trata a deficiência funcional de surfactante do prematuro e reduz necessidade de suporte ventilatório agressivo.
Na prova, associe maturação antenatal a menos SDR e menos complicações graves da prematuridade, não a icterícia ou hipertensão.
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Contexto
O prematuro é vulnerável à síndrome do desconforto respiratório por deficiência de surfactante, à instabilidade hemodinâmica e à hemorragia peri-intraventricular. O corticosteroide antenatal acelera a maturação fetal, especialmente a pulmonar, aumenta a produção endógena de surfactante e reduz a gravidade da doença respiratória. A recomendação da OMS de 2022 para corticosteroide antenatal em gestantes com risco elevado de parto prematuro é sustentada por redução de mortalidade neonatal, síndrome do desconforto respiratório e hemorragia intraventricular.
O surfactante exógeno é usado no prematuro com deficiência de surfactante para reduzir tensão superficial alveolar, melhorar complacência pulmonar e diminuir necessidade de pressões ventilatórias elevadas. Com melhor recrutamento pulmonar e menor instabilidade respiratória, reduz-se a cascata de hipóxia, hipercapnia e flutuações do fluxo cerebral que favorece lesão da matriz germinativa. Entre as alternativas apresentadas, a associação com menor incidência de hemorragia peri-intraventricular é a única compatível com o benefício esperado dessas estratégias neonatais.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O corticosteroide antenatal tem evidência direta de redução de hemorragia intraventricular, e o manejo adequado da deficiência de surfactante reduz a instabilidade respiratória que contribui para lesão cerebral do prematuro.
B) Incorreta. Nem corticosteroide antenatal nem surfactante são intervenções destinadas a prevenir icterícia neonatal precoce. A hiperbilirrubinemia do prematuro decorre sobretudo de imaturidade da conjugação hepática e maior circulação entero-hepática.
C) Incorreta. Hipertensão arterial não é o desfecho neonatal clássico prevenido por essas duas intervenções. O foco é redução de morbidade respiratória e de complicações relacionadas à prematuridade.
D) Incorreta. O sentido está invertido. Corticosteroide antenatal não é utilizado por aumentar enterocolite necrosante; a estratégia global de maturação antenatal está associada a melhor desfecho neonatal.
E) Incorreta. Um ciclo antenatal adequadamente indicado não é descrito como causa de aumento de infecção neonatal, e a reposição de surfactante também não tem esse efeito como desfecho esperado.