Trabalho de parto prematuro e RPMO

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Questão 37
HCPA · 2019

Gestante (G2P1), com 35 semanas de gestação, datada por ultrassonografia na décima quarta semana, veio à Emergência por perda líquida por via vaginal. Nas cinco consultas de pré-natal, não havia registro de intercorrências. O parto anterior fora a termo. Ao exame físico, a altura uterina era de 32 cm e a dinâmica estava ausente; a apresentação cefálica era palpável acima da sínfise; os batimentos cardiofetais eram de 130 bpm; e havia pequeno volume de líquido claro fluindo pelo introito vaginal à inspeção.

Qual a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Há ruptura prematura pré-termo de membranas, porque se observa líquido claro fluindo pelo introito vaginal antes do início do trabalho de parto, com 35 semanas. O diagnóstico é predominantemente clínico pelo exame especular, podendo ser complementado por testes do líquido quando houver dúvida. Ultrassonografia com redução do líquido amniótico pode apoiar o diagnóstico, mas não confirma nem exclui isoladamente a ruptura.

O gabarito reflete a conduta clássica de resolução após 34 semanas: indução do parto, preferencialmente com ocitocina quando a bolsa já está rota, e profilaxia intraparto para estreptococo do grupo B quando indicada. Há uma atualização importante: o ACOG Practice Bulletin 217, reafirmado em 2026, admite entre 34 0/7 e 36 6/7 semanas tanto resolução quanto manejo expectante cuidadosamente selecionado após aconselhamento, desde que não haja infecção ou outra indicação de parto. Portanto, a obrigação universal de interromper imediatamente após 34 semanas não é mais absoluta em todas as diretrizes atuais. Mantendo o gabarito da prova, a alternativa D é a que corresponde ao paradigma cobrado.

Se a opção for pela resolução, apresentação cefálica alta sem trabalho de parto não é, por si, indicação de cesariana. O método de indução é escolhido pelo colo e pelo contexto clínico; com membranas rotas, a ocitocina é uma escolha consolidada.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A visualização de líquido fluindo pelo introito já torna o diagnóstico clínico muito provável. O índice de líquido amniótico é exame de apoio e não um teste confirmatório.

B) Incorreta. Apresentação cefálica ainda alta e ausência de dinâmica não obrigam cesariana. Sem contraindicação à via vaginal, pode-se induzir o trabalho de parto.

C) Incorreta. O misoprostol pode ser usado em alguns protocolos de indução com colo desfavorável, mas, no contexto cobrado, a ocitocina é a opção preferida após ruptura de membranas. Além disso, a questão associa a resposta correta ao manejo obstétrico clássico de RPM pré-termo tardia.

D) Correta (gabarito). Dentro da referência usada pela prova, 35 semanas com ruptura de membranas indica resolução da gestação por indução com ocitocina e profilaxia para estreptococo do grupo B quando o estado microbiológico é desconhecido ou há outro critério de indicação.

E) Incorreta. A alternativa descreve o manejo expectante típico das idades gestacionais mais precoces, com antibióticos de latência. Em 35 semanas, antibiótico de latência rotineiro não é a estratégia padrão. Diretrizes atuais permitem manejo expectante selecionado no período de 34 a 36 6/7 semanas, mas isso não torna correta a combinação proposta de protocolo de latência como se fosse uma gestação abaixo de 34 semanas.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: ultrassom pode mostrar oligodrâmnio, mas ruptura de membranas é diagnóstico clínico, idealmente pelo exame especular.

  • Na prova antiga, memorize: RPM pré-termo a partir de 34 semanas era resolvida. Hoje, entre 34 0/7 e 36 6/7 semanas, algumas diretrizes admitem individualização entre parto e conduta expectante.

  • Bolsa rota e indicação de indução: ocitocina é uma escolha clássica; cesariana depende de indicação obstétrica, não apenas de apresentação alta.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Trabalho de parto prematuro e RPMO” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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