Paciente de 48 anos, submetida a histerectomia por miomatose, busca saber se está na menopausa. Por ter câncer de mama, vem fazendo uso de tamoxifeno há 6 meses. Foi solicitada dosagem sérica do hormônio estimulador do folículo (FSH) para investigar falência ovariana.
Pegadinha central: tamoxifeno é SERM, não inibidor de aromatase.
Em mulher histerectomizada, você perde o marcador clínico da amenorreia; em uso de tamoxifeno, um FSH isolado fica ainda menos confiável.
Atualização importante: diretrizes oncológicas atuais admitem FSH mais estradiol em faixa pós menopausal para apoiar a avaliação em usuárias de tamoxifeno com menos de 60 anos.
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Contexto
O tamoxifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio. Ele não inibe aromatase, redutase nem a enzima de clivagem da cadeia lateral do colesterol. Em mulheres na pré menopausa, sua ação sobre o eixo hipotálamo hipófise ovário pode modificar gonadotrofinas e estradiol e também pode causar amenorreia sem que exista falência ovariana definitiva.
Isso torna um FSH isolado particularmente problemático para definir menopausa em uma mulher de 48 anos histerectomizada, pois a ausência de útero impede utilizar o padrão menstrual e o tamoxifeno interfere na interpretação hormonal. O NCCN de 2024 e 2025 explicita uma nuance importante em relação ao modo absoluto como esta questão foi escrita: em pacientes com menos de 60 anos usando tamoxifeno, FSH e estradiol em faixa pós menopausal podem ser usados em conjunto para sustentar a definição, embora o próprio NCCN reconheça que o tamoxifeno altera o FSH e que não existem critérios perfeitos.
Portanto, o gabarito E deve ser mantido porque a solicitação descrita é apenas de FSH e a ideia central da questão é que o tamoxifeno rompe a confiabilidade desse marcador isolado. A formulação de que ele impossibilita qualquer diagnóstico hormonal é mais categórica que as recomendações atuais.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tamoxifeno não inibe aromatase. Anastrozol, letrozol e exemestano pertencem ao grupo dos inibidores de aromatase.
B) Incorreta. O mecanismo do tamoxifeno não envolve inibição de redutase.
C) Incorreta. Tamoxifeno não bloqueia a P450scc nem a etapa inicial da esteroidogênese ovariana.
D) Incorreta. A primeira parte identifica corretamente o tamoxifeno como SERM, mas é falso dizer que ele não tem correlação com FSH. Ele pode alterar o eixo hormonal e limitar a interpretação de um FSH isolado.
E) Correta (gabarito). Entre as alternativas, é a única que reconhece que o tamoxifeno interfere no eixo estrogênio gonadotrofinas e torna inadequado concluir falência ovariana a partir de um FSH isolado. Pela prática atual, a avaliação pode exigir estradiol associado e medidas seriadas conforme o objetivo clínico.