O traçado eletrocardiográfico ao lado pertence a um paciente adulto com dor precordial contínua em repouso há mais de 6 horas.

Pegadinha central: supra de ST em muitas derivações não significa infarto extenso quando ele não respeita território coronariano e vem com depressão de PR.
Pericardite aguda clássica: ST difuso, frequentemente côncavo, depressão de PR e alteração recíproca em aVR, podendo também ocorrer em V1.
IAM com supra: pense em território vascular, derivações contíguas e imagem em espelho, não apenas no formato do ST.
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Contexto
O ECG fornecido em Q62-img1 mostra padrão compatível com pericardite aguda. A Diretriz ESC de Miocardite e Pericardite de 2025 descreve como achados clássicos supradesnivelamento difuso do segmento ST e depressão do segmento PR, sobretudo na fase inicial. No traçado, as alterações aparecem em múltiplos territórios, sem distribuição que respeite uma única artéria coronária, e há o padrão recíproco esperado em aVR.
A lógica que separa pericardite de infarto com supra é a distribuição. Na pericardite, a inflamação subepicárdica é difusa, produzindo elevação de ST em várias derivações, frequentemente de concavidade superior, com depressão de PR. No infarto agudo com oclusão coronariana, o supra tende a formar um território anatômico contíguo correspondente à artéria culpada e pode vir acompanhado de alterações recíprocas em derivações opostas. A morfologia isolada do ST não basta para diferenciar as duas entidades.
O diagnóstico clínico de pericardite é sustentado pela combinação de achados como dor torácica típica, atrito pericárdico, novas alterações difusas de ST ou PR e derrame pericárdico. O ECG é muito útil, mas nem todo paciente apresenta o padrão clássico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cor pulmonale produz sinais de sobrecarga de câmaras direitas, como desvio do eixo para a direita, padrão de sobrecarga de ventrículo direito e, em situações agudas, S1Q3T3 ou bloqueio de ramo direito. Não explica o supra difuso com alteração de PR.
B) Correta (gabarito). O traçado de Q62-img1 apresenta o padrão clássico de pericardite aguda, com alterações difusas do ST e PR em vez de um território coronariano único.
C) Incorreta. Endocardite relacionada a cabo de marca-passo não tem um padrão eletrocardiográfico específico de supradesnivelamento difuso de ST. O diagnóstico depende de quadro infeccioso, hemoculturas e imagem do dispositivo e das estruturas cardíacas.
D) Incorreta. Isquemia subendocárdica costuma se manifestar por infradesnivelamento de ST e ou inversão de onda T, e não pelo padrão difuso de supra observado.
E) Incorreta. No infarto agudo com supra, as alterações costumam ser regionais e organizadas em derivações contíguas de um território coronariano, frequentemente com alterações recíprocas. O padrão do traçado é difuso, favorecendo pericardite.