Recém-nascido (RN) de 24 dias de vida foi trazido à Unidade Básica de Saúde para receber a vacina BCG. A enfermeira informou ao médico que um tio da criança, que reside no mesmo domicílio, é soropositivo para HIV e está sendo investigado para tuberculose, tendo sido realizada coleta de escarro para baciloscopia há 2 dias.
Pegadinha central: RN contato de bacilífero não recebe BCG imediatamente.
Algoritmo clássico: 3 meses de isoniazida, depois PT; <5 mm = parar e vacinar; ≥5 mm = completar tratamento e não vacinar.
Leia a alternativa com atenção ao total do esquema: com isoniazida, são 6 meses no total, não 3 + 6.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O RN ainda não vacinado com BCG que coabita com caso potencialmente bacilífero merece cuidado porque a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis nessa faixa etária tem maior risco de evoluir para formas graves, como tuberculose miliar e meníngea. O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil do Ministério da Saúde orienta adiar a BCG em recém-nascido contato de caso pulmonar ou laríngeo bacilífero até que a estratégia de prevenção seja concluída.
No algoritmo clássico do Ministério da Saúde cobrado pela questão, após confirmação do caso fonte bacilífero e exclusão de tuberculose ativa no RN, inicia-se quimioprofilaxia primária com isoniazida por 3 meses. Depois realiza-se prova tuberculínica. Se a PT for < 5 mm, suspende-se a isoniazida e aplica-se BCG. Se a PT for ≥ 5 mm, considera-se que houve infecção e completa-se o tratamento preventivo, sem BCG; com isoniazida, completa-se 6 meses no total. O manual também admite rifampicina como alternativa em esquema próprio.
Nesta questão, o tio ainda está apenas em investigação. Portanto, não se inicia automaticamente a profilaxia antes de confirmar que o contato é de fato um caso transmissível. O primeiro passo é não vacinar naquele momento e aguardar o resultado da investigação do caso fonte, mantendo avaliação clínica do RN.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A BCG não deve ser aplicada antes de esclarecer a exposição a caso bacilífero. Além disso, a sequência entre vacinação, profilaxia e PT está invertida.
B) Incorreta. O erro principal é vacinar imediatamente um RN que pode estar exposto a caso transmissível. O algoritmo também não prescreve simplesmente 6 meses sem reavaliação intermediária.
C) Incorreta. A primeira parte está correta, mas, se a PT após 3 meses for ≥5 mm, a isoniazida é mantida por mais 3 meses, completando 6 meses no total, e não por mais 6 meses.
D) Incorreta. O esquema clássico prevê reavaliação com PT após 3 meses, pois o resultado define se a profilaxia é suspensa com vacinação ou se o tratamento preventivo é completado.
E) Correta (gabarito). Deve-se adiar a BCG, aguardar confirmação do caso fonte e, se ele for bacilífero, iniciar profilaxia; após 3 meses, PT <5 mm permite suspender a quimioprofilaxia e aplicar BCG.