Paciente de 18 anos veio à Emergência queixando-se de dor e sangramento nas relações sexuais. Informou ser usuária de dispositivo intrauterino (DIU) de cobre há 3 anos. Ao exame, a temperatura axilar era de 37,3º C, a frequência cardíaca de 90 bpm e a pressão arterial de 100/70 mmHg. À palpação do abdômen, referiu dor difusa no baixo ventre, sem sinais de irritação peritoneal; ao toque vaginal, dor à mobilização do colo uterino e à palpação de anexos.
Pegadinha central: DIP em usuária de DIU não significa retirar o dispositivo imediatamente.
Trate primeiro e reavalie em 48 a 72 horas. Sem melhora, considere retirada do DIU.
Dor à mobilização do colo, uterina ou anexial em contexto compatível justifica baixo limiar para tratamento empírico.
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Contexto
O diagnóstico clínico de doença inflamatória pélvica deve ser feito com baixo limiar porque atraso terapêutico aumenta risco de infertilidade tubária, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. Dor no baixo ventre associada a dor à mobilização do colo e dor anexial, sem outra causa mais provável, já sustenta tratamento empírico. A ausência de febre alta não exclui DIP.
O uso de DIU não muda a necessidade de antibioticoterapia. O maior aumento de risco infeccioso relacionado à inserção concentra-se nas primeiras semanas após o procedimento, não três anos depois. O CDC Selected Practice Recommendations de 2024 orienta que, quando uma usuária de DIU apresenta DIP, o dispositivo não precisa ser removido imediatamente se ela deseja mantê-lo. Deve-se iniciar antibiótico e reavaliar em 48 a 72 horas; se não houver melhora, considera-se retirada, mantendo o tratamento.
Esta paciente está hemodinamicamente estável, sem peritonite, abscesso conhecido, gestação, vômitos incoercíveis ou incapacidade de tratamento ambulatorial descrita. Portanto, não há indicação automática de internação nem de videolaparoscopia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. DIU pode ser utilizado por adolescentes e não é a causa automática de uma DIP ocorrida três anos após a inserção. O risco relacionado ao procedimento é maior logo após a colocação.
B) Incorreta. Remover o DIU não trata a infecção. DIP exige cobertura antibiótica adequada para os agentes envolvidos.
C) Incorreta. Não há critério apresentado que obrigue internação. Além disso, o DIU não deve ser retirado de rotina no momento do diagnóstico.
D) Correta (gabarito). A conduta é iniciar antibioticoterapia, manter o DIU inicialmente e reavaliar em 48 a 72 horas, considerando retirada se a evolução for insatisfatória ou se a paciente desejar interromper o método.
E) Incorreta. Videolaparoscopia não é exame de rotina para excluir abscesso tubo ovariano. Quando há suspeita de complicação anexial, ultrassonografia transvaginal costuma ser o primeiro exame de imagem.