Considere as assertivas abaixo sobre o vírus Zika.
I - Além da microcefalia congênita, pode ocorrer uma série de manifestações, dentre as quais se incluem desproporção craniofacial, espasticidade, convulsões, irritabilidade e anormalidades auditivas e oculares.
II - O Ministério da Saúde adota, como critério de classificação de microcefalia, uma medida de perímetro cefálico ≤ 32 cm logo após o nascimento.
III - Recém-nascidos com perímetro cefálico normal, cujas mães foram expostas ao vírus no terceiro trimestre da gestação, podem apresentar alterações neurológicas graves nos primeiros meses de vida.
Pegadinha central: Zika congênito não exige microcefalia ao nascer.
Perímetro cefálico deve ser interpretado por sexo e idade gestacional, não por um corte único de 32 cm.
Exposição intrauterina pode produzir alterações neurológicas e sensoriais tardias, justificando seguimento longitudinal.
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Contexto
A síndrome congênita associada ao vírus Zika é um espectro de lesões do sistema nervoso central e de outros órgãos, não sinônimo de microcefalia. A OMS descreve, além da microcefalia, anomalias cranianas e cerebrais, desproporção craniofacial, alterações de tônus como espasticidade, convulsões, irritabilidade, contraturas, disfagia, alterações auditivas e alterações oculares. Portanto, a assertiva I descreve corretamente manifestações reconhecidas.
O erro da assertiva II é transformar um valor fixo de perímetro cefálico em critério universal. O corte de 32 cm foi usado de forma provisória no início da emergência brasileira, mas a classificação passou a considerar sexo e idade gestacional, com referência a curvas padronizadas e definição por desvios-padrão. Em um RN a termo, microcefalia é definida pelo perímetro cefálico abaixo do ponto de corte correspondente ao sexo e à idade gestacional, não por um único número aplicável a todos.
A assertiva III também é verdadeira. A ausência de microcefalia ao nascer não exclui infecção congênita nem lesão cerebral. Há crianças expostas intraútero que nascem com perímetro cefálico dentro da faixa esperada e manifestam posteriormente desaceleração do crescimento cefálico, alterações neurológicas, convulsões ou achados de neuroimagem. Por isso, exposição gestacional relevante exige seguimento do desenvolvimento mesmo quando o exame neonatal inicial parece normal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. I é verdadeira, mas III também é verdadeira.
B) Incorreta. II é a assertiva falsa porque um corte fixo de 32 cm não é o critério atual universal para microcefalia.
C) Incorreta. III é correta, porém I também é.
D) Correta (gabarito). I e III descrevem corretamente o espectro da síndrome congênita do Zika e a possibilidade de alterações neurológicas sem microcefalia ao nascimento.
E) Incorreta. A inclusão de II torna o conjunto errado.