Síndromes genéticas e erros inatos

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 4
HCPA · 2019

Considere as assertivas abaixo sobre o vírus Zika.

I - Além da microcefalia congênita, pode ocorrer uma série de manifestações, dentre as quais se incluem desproporção craniofacial, espasticidade, convulsões, irritabilidade e anormalidades auditivas e oculares.

II - O Ministério da Saúde adota, como critério de classificação de microcefalia, uma medida de perímetro cefálico ≤ 32 cm logo após o nascimento.

III - Recém-nascidos com perímetro cefálico normal, cujas mães foram expostas ao vírus no terceiro trimestre da gestação, podem apresentar alterações neurológicas graves nos primeiros meses de vida.

Quais são corretas?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A síndrome congênita associada ao vírus Zika é um espectro de lesões do sistema nervoso central e de outros órgãos, não sinônimo de microcefalia. A OMS descreve, além da microcefalia, anomalias cranianas e cerebrais, desproporção craniofacial, alterações de tônus como espasticidade, convulsões, irritabilidade, contraturas, disfagia, alterações auditivas e alterações oculares. Portanto, a assertiva I descreve corretamente manifestações reconhecidas.

O erro da assertiva II é transformar um valor fixo de perímetro cefálico em critério universal. O corte de 32 cm foi usado de forma provisória no início da emergência brasileira, mas a classificação passou a considerar sexo e idade gestacional, com referência a curvas padronizadas e definição por desvios-padrão. Em um RN a termo, microcefalia é definida pelo perímetro cefálico abaixo do ponto de corte correspondente ao sexo e à idade gestacional, não por um único número aplicável a todos.

A assertiva III também é verdadeira. A ausência de microcefalia ao nascer não exclui infecção congênita nem lesão cerebral. Há crianças expostas intraútero que nascem com perímetro cefálico dentro da faixa esperada e manifestam posteriormente desaceleração do crescimento cefálico, alterações neurológicas, convulsões ou achados de neuroimagem. Por isso, exposição gestacional relevante exige seguimento do desenvolvimento mesmo quando o exame neonatal inicial parece normal.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. I é verdadeira, mas III também é verdadeira.

B) Incorreta. II é a assertiva falsa porque um corte fixo de 32 cm não é o critério atual universal para microcefalia.

C) Incorreta. III é correta, porém I também é.

D) Correta (gabarito). I e III descrevem corretamente o espectro da síndrome congênita do Zika e a possibilidade de alterações neurológicas sem microcefalia ao nascimento.

E) Incorreta. A inclusão de II torna o conjunto errado.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: Zika congênito não exige microcefalia ao nascer.

  • Perímetro cefálico deve ser interpretado por sexo e idade gestacional, não por um corte único de 32 cm.

  • Exposição intrauterina pode produzir alterações neurológicas e sensoriais tardias, justificando seguimento longitudinal.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Síndromes genéticas e erros inatos” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →