Considere as assertivas abaixo sobre a avaliação de um paciente com suspeita de pancreatite aguda.
I - Valores de amilasemia superiores a 4 vezes o valor normal são específicos para o diagnóstico da doença.
II - Cálculos biliares na vesícula biliar com mais de 10 mm de diâmetro representam risco alto para o desenvolvimento da doença.
III - Quadro grave da doença caracteriza-se pela falência de múltiplos órgãos persistente por mais de 48 horas ou pela presença de complicações pancreáticas e peripancreáticas, como necrose ou pseudocistos.
Pegadinha central: pancreatite grave não é sinônimo de necrose. Grave = falência orgânica persistente por mais de 48 horas.
Diagnóstico: 2 de 3 critérios, com enzimas pancreáticas pelo menos 3 vezes o limite superior.
Pancreatite biliar tem associação clássica com cálculos pequenos, que migram com maior facilidade.
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Contexto
Questão anulada pela banca. Pelo conhecimento atual, nenhuma das três assertivas está correta de forma adequada. O diagnóstico de pancreatite aguda é estabelecido quando existem pelo menos 2 de 3 critérios: dor abdominal típica, amilase ou lipase pelo menos 3 vezes acima do limite superior da normalidade e achado de imagem compatível. A lipase é preferida por maior sensibilidade e janela diagnóstica mais longa.
Na pancreatite biliar, cálculos pequenos têm maior propensão a migrar pelo ducto cístico e impactar transitoriamente a ampola. Portanto, a associação de risco clássica é com cálculos pequenos, especialmente na faixa inferior a 5 mm, e não com cálculos maiores que 10 mm.
A Classificação de Atlanta revisada de 2012 separa gravidade em três categorias.
Assim, necrose, coleções ou pseudocisto isoladamente não bastam para classificar a pancreatite como grave se não houver falência orgânica persistente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A assertiva I não é uma definição correta. O critério bioquímico aceito é amilase ou lipase pelo menos 3 vezes o limite superior, e nem mesmo valores muito elevados tornam a amilase absolutamente específica para pancreatite.
B) Incorreta. A assertiva II inverte a associação de risco. Cálculos pequenos são mais propensos a migrar e desencadear pancreatite biliar.
C) Incorreta. A assertiva III mistura pancreatite grave com moderadamente grave. Pela Atlanta revisada, complicações locais sem falência orgânica persistente não definem forma grave.
D) Incorreta. Tanto II quanto III estão erradas pelos motivos acima.
E) Incorreta. As três assertivas não podem ser consideradas corretas; por isso, a ausência de uma alternativa equivalente a “nenhuma” sustenta a anulação.