Pegadinha central: antitérmico trata desconforto, não previne convulsão febril.
Febre não é sinônimo de hipertermia: na febre, o ponto de ajuste hipotalâmico está elevado; na hipertermia, não.
Álcool para resfriamento é contraindicado, e esponjamento não é conduta rotineira na criança febril.
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Contexto
Na criança com febre, o objetivo do antitérmico é reduzir desconforto, e não normalizar obrigatoriamente a temperatura nem prevenir complicações neurológicas. A American Academy of Pediatrics mantém o princípio de que paracetamol e ibuprofeno podem melhorar o conforto, mas não previnem convulsões febris. A ocorrência da convulsão depende mais da suscetibilidade individual e da resposta à infecção do que de um valor isolado de temperatura.
Também é importante separar febre de hipertermia. Na febre, o hipotálamo eleva o ponto de ajuste térmico; por isso, resfriamento físico agressivo pode provocar calafrios, vasoconstrição e mais desconforto. Já na hipertermia verdadeira, como na insolação, o ponto de ajuste não está elevado e medidas físicas de resfriamento têm papel central. Em uma criança com febre habitual, banhos frios, esponjamento de rotina e, sobretudo, fricções ou banhos com álcool não são recomendados. O álcool pode ser absorvido pela pele ou inalado e causar toxicidade, especialmente em lactentes.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Reduzir a temperatura pode melhorar o conforto, mas não há demonstração de que a queda da febre reduza mortalidade. A gravidade depende da doença de base, não da simples resposta ao antitérmico.
B) Incorreta. Banhos com álcool não devem ser usados. Além de não tratarem a causa da febre, expõem a criança a absorção cutânea e inalação de álcool, com risco de toxicidade; lactentes são particularmente vulneráveis.
C) Incorreta. Não existe regra de que temperatura axilar acima de 40 °C após duas doses de antitérmico indique esponjamento. Métodos físicos na febre podem gerar tremores, vasoconstrição e desconforto. Resfriamento físico é outra lógica quando há hipertermia verdadeira.
D) Correta (gabarito). Antitérmicos não previnem convulsões febris. Eles podem melhorar o estado geral e o desconforto, mas não devem ser prescritos com a promessa de impedir uma crise.
E) Incorreta. Não há superioridade consistente do paracetamol sobre ibuprofeno ou dipirona que justifique essa afirmação. A escolha depende de idade, contraindicações, segurança e contexto clínico.