Paciente de 55 anos, G2P2, na menopausa há 3 anos, veio à consulta por calorões, insônia, sintomas depressivos e dificuldade de memória. Relatou fazer reposição hormonal com estrogênio e progestogênio, com boa resposta a essa terapia, mas queixa-se de diminuição da libido.
Pegadinha central: depressão mais baixa libido não combina bem com um ISRS como paroxetina quando existe alternativa com menor impacto sexual.
Bupropiona atua predominantemente em noradrenalina e dopamina e tende a causar menos disfunção sexual que antidepressivos serotoninérgicos.
Na prática atual, perda persistente de desejo na pós-menopausa deve ser avaliada por modelo biopsicossocial; testosterona transdérmica pode ser considerada em casos selecionados de transtorno do desejo sexual hipoativo, mas não está entre as opções da questão.
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Contexto
A queixa de redução da libido no climatério exige separar sintomas vasomotores, transtorno depressivo, efeito de medicamentos, dor geniturinária e transtorno do desejo sexual hipoativo. Nesta questão, a paciente já apresenta boa resposta à terapia hormonal com estrogênio e progestogênio, mas mantém baixa libido associada a sintomas depressivos. Entre as alternativas oferecidas, a bupropiona é a opção com perfil sexual mais favorável porque inibe principalmente a recaptação de noradrenalina e dopamina e apresenta incidência de disfunção sexual menor que a dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina.
O ponto discriminador é que a questão não pergunta pelo tratamento específico contemporâneo do transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, e sim qual fármaco, dentre os listados, seria mais adequado diante de baixa libido e sintomas depressivos. Diretrizes atuais de menopausa e medicina sexual não consideram bupropiona uma terapia hormonal específica para perda de libido; em mulheres pós-menopáusicas cuidadosamente selecionadas com transtorno do desejo sexual hipoativo, a testosterona transdérmica pode ser considerada após avaliação biopsicossocial. Como testosterona não aparece nas alternativas, a bupropiona é a melhor resposta dentro do conjunto apresentado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Atenolol é um betabloqueador e pode contribuir para disfunção sexual em alguns pacientes. Além disso, não trata o componente depressivo nem constitui terapia para baixa libido.
B) Incorreta. Espironolactona possui ação antiandrogênica e pode reduzir a atividade androgênica, além de causar efeitos endócrinos como mastalgia e alterações menstruais em mulheres em idade fértil. Não é fármaco indicado para aumentar desejo sexual.
C) Incorreta. Paroxetina é um ISRS. Embora possa tratar depressão e seja utilizada em algumas situações para sintomas vasomotores, os ISRS estão entre os antidepressivos mais associados a redução de libido, atraso orgástico e anorgasmia. Essa é a principal pegadinha da questão.
D) Correta (gabarito). A bupropiona trata sintomas depressivos com menor risco de disfunção sexual que os ISRS e pode melhorar função sexual em determinados pacientes. Entre as alternativas oferecidas, é a escolha que melhor concilia depressão e preservação da libido.
E) Incorreta. Metildopa é anti-hipertensivo de ação central e pode associar-se a sedação e disfunção sexual. Não tem papel terapêutico para baixa libido.