Dermatites e afecções cutâneas da infância

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Questão 7
HCPA · 2020

Mãe primípara, de 23 anos, trouxe à consulta de puericultura seu filho de 30 dias de vida. Informou que a criança encontrava-se em aleitamento materno exclusivo sob livre demanda e parecia bem satisfeita após as mamadas. Queixou-se de dor intensa, em queimação, em ambas as mamas e que, muitas vezes, ao amamentar, se assemelhava a uma fisgada. Ao exame das mamas, a única alteração perceptível foram os mamilos vermelhos e brilhantes, porém sem sinais flogísticos. Tanto a mãe como a criança estavam afebris. O exame físico do lactente foi normal, e o ganho de peso era adequado.

Nesse momento, deve-se prescrever
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O padrão descrito é o quadro clássico cobrado em prova como candidíase mamilar: dor intensa em queimação ou fisgada, frequentemente bilateral, persistente durante ou após a mamada, associada a mamilo eritematoso, brilhante ou descamativo e com poucos achados inflamatórios profundos. O ABM Clinical Protocol #26, de 2016, lista exatamente esse conjunto de sinais entre as apresentações atribuídas a Candida e propõe azólico tópico para a mãe e tratamento oral do lactente.

A lógica da alternativa é tratar a díade mãe-lactente simultaneamente, mesmo quando o bebê não apresenta placas de monilíase oral visíveis, para reduzir reinoculação entre boca e mama. Miconazol tópico no mamilo e nistatina oral para o lactente correspondem ao esquema apresentado na opção correta.

Na prática atual, dor mamilar em queimação não é específica para Candida. A própria literatura de medicina da amamentação reconhece incerteza sobre a participação do fungo em parte desses casos. Falha terapêutica deve levar à revisão de pega e trauma, dermatites, vasoespasmo do mamilo, infecção bacteriana e outras causas de dor persistente.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). É a alternativa que trata simultaneamente mãe e lactente com antifúngicos compatíveis com o quadro clássico de candidíase mamilar, reduzindo o risco de reinfecção cruzada.

B) Incorreta. Hidrocortisona pode ser útil em algumas dermatoses inflamatórias, mas não trata candidíase. Orientar pega é sempre importante, porém o padrão descrito pela questão foi construído para infecção fúngica.

C) Incorreta. Além de não corresponder ao esquema preferido da questão, trata apenas a mãe. Quando a hipótese é candidíase da díade, tratar somente um dos dois favorece persistência ou recorrência.

D) Incorreta. Cefalexina seria considerada em mastite bacteriana ou infecção cutânea bacteriana. Aqui não há febre, área de eritema quente, edema ou sinais sistêmicos de mastite.

E) Incorreta. Ibuprofeno pode aliviar dor, mas não trata a causa proposta. Ordenha é útil em situações específicas de estase ou necessidade de manter a lactação, não como tratamento etiológico para candidíase mamilar.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: na apresentação clássica de prova, dor bilateral em queimação com mamilo vermelho e brilhante sugere candidíase mamilar.

  • Quando a banca assume Candida, trata-se mãe e lactente ao mesmo tempo.

  • Na prática, se não houver resposta ao antifúngico, reabra o diagnóstico: vasoespasmo, dermatite, trauma por pega e causas bacterianas podem imitar o quadro.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Dermatites e afecções cutâneas da infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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