Doenças da tireoide

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 69
HCPA · 2020
Assinale a assertiva correta sobre o diagnóstico laboratorial de distúrbios tireoidianos.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Na avaliação da função tireoidiana, o TSH é o exame inicial mais sensível para disfunção tireoidiana primária porque existe uma relação aproximadamente log-linear entre o T4 livre e a secreção hipofisária de TSH: pequenas alterações do T4 livre provocam variações proporcionalmente muito maiores do TSH. Assim, no hipotireoidismo primário inicial, o TSH costuma se elevar antes de o T4 livre cair.

O padrão bioquímico define a classificação. Hipotireoidismo subclínico = TSH elevado com T4 livre normal. Hipotireoidismo primário manifesto = TSH elevado com T4 livre reduzido. A presença ou ausência de sintomas não entra na definição de subclínico, embora influencie a decisão terapêutica. Uma elevação discreta de TSH deve ser confirmada em nova dosagem, porque doença aguda, recuperação de tireoidite, medicamentos, interferência analítica e variação biológica podem produzir alterações transitórias. Diretrizes como a NICE recomendam confirmação em medidas separadas antes de decisões terapêuticas em elevações persistentes.

O T3 tem utilidade maior na investigação de tireotoxicose, especialmente quando o TSH está suprimido e o T4 livre ainda é normal. No hipotireoidismo, o T3 pode permanecer normal por muito tempo devido ao aumento compensatório da conversão periférica de T4 em T3. Já quando há suspeita de doença hipofisária ou hipotalâmica, TSH isolado não basta: o T4 livre precisa ser interpretado em conjunto, pois o TSH pode estar baixo, normal ou até discretamente elevado, porém biologicamente inadequado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Hipotireoidismo subclínico exige T4 livre normal, não reduzido. Além disso, o paciente pode ter sintomas inespecíficos; ausência completa de sintomas não faz parte da definição.

B) Incorreta. Uma única elevação moderada de TSH com T4 livre normal não deve, em regra, ser tomada como confirmação definitiva de doença persistente. É necessário considerar contexto clínico, interferentes e repetir a avaliação em intervalo apropriado.

C) Incorreta. O T3 é biologicamente ativo, mas sua dosagem não é fundamental para diagnosticar hipotireoidismo. Ele pode permanecer normal até fases tardias. Sua utilidade é maior na investigação de hipertireoidismo ou tireotoxicose com TSH suprimido.

D) Correta (gabarito). O TSH é o principal exame de triagem para hipotireoidismo primário e amplifica pequenas mudanças de T4 livre pela relação log-linear entre hipófise e hormônios tireoidianos. Essa característica fisiológica torna o TSH extremamente sensível para alterações primárias da tireoide.

E) Incorreta. O TSH isolado não diferencia com segurança doença primária de hipotireoidismo central. Na doença hipofisária ou hipotalâmica, é indispensável avaliar o T4 livre em conjunto.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: subclínico não significa assintomático; significa TSH alterado com T4 livre ainda normal.

  • TSH é excelente marcador de disfunção primária, mas perde confiabilidade quando a hipótese é doença hipofisária ou hipotalâmica.

  • T3 não é o exame para fechar hipotireoidismo; pense nele principalmente quando o TSH está suprimido e há suspeita de tireotoxicose.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças da tireoide” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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