Paciente de 40 anos, com vida sexual ativa, veio à consulta para revisão ginecológica anual. Informou estar sedentária no momento e negou tabagismo e doenças crônicas. Faz uso de anticoncepcional oral combinado com 0,03 mg de etinilestradiol e 0,15 mg de levonorgestrel, estando bem adaptada. Encontrava-se em tratamento vascular há 3 meses em razão de varizes superficiais e varicosidades.
Variz não é trombose: varizes superficiais são categoria 1 para contraceptivo combinado.
Idade a partir de 40 anos pede reavaliação de fatores de risco, não suspensão automática.
Não confunda sedentarismo com imobilização prolongada após cirurgia, situação que muda o risco trombótico.
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Contexto
Varizes superficiais, sem trombose venosa superficial ou profunda, não contraindicam contraceptivos hormonais combinados. Na 6ª edição dos critérios de elegibilidade da OMS, publicada em 2025, varizes permanecem como categoria 1 para contracepção combinada, isto é, sem restrição de uso por essa condição. O CDC 2024 apresenta a mesma classificação.
A idade de 40 anos, isoladamente, não é contraindicação absoluta. Em critérios tradicionais da OMS, mulheres com 40 anos ou mais, sem outros fatores relevantes, podem geralmente usar método combinado, categoria 2. O que mudaria a conduta seria a presença de fatores como tabagismo importante, hipertensão, enxaqueca com aura, trombose venosa prévia, trombofilia, doença cardiovascular ou cirurgia com imobilização prolongada.
É essencial distinguir varizes de trombose venosa superficial. Esta última recebe classificação mais restritiva para contraceptivos combinados porque se associa a risco trombótico maior. O simples fato de a paciente estar em acompanhamento vascular por varicosidades não equivale a trombose.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Idade de 40 anos, sem outros fatores de risco importantes, não exige suspensão automática do anticoncepcional combinado. O risco deve ser individualizado.
B) Incorreta. Varizes superficiais são categoria 1. O tratamento vascular das varizes, por si só, não transforma a condição em trombose venosa profunda nem cria contraindicação ao método.
C) Incorreta. Sedentarismo habitual não equivale a imobilização prolongada e não é, isoladamente, motivo para suspender contraceptivo combinado. Cirurgia de grande porte com imobilização prolongada seria outro cenário.
D) Correta (gabarito). A paciente pode manter o anticoncepcional oral combinado porque apresenta varizes superficiais, não trombose, e não há no enunciado outro fator que torne o método contraindicado.
E) Incorreta. Não há necessidade de trocar para progestagênio isolado apenas porque a paciente tem 40 anos. Essa troca seria apropriada se surgisse contraindicação ao estrogênio ou preferência por outro método.