Pegadinha central: proporção pode subir enquanto taxa cai.
Transição epidemiológica brasileira: menos peso relativo de causas infecciosas e maior participação das DCNT entre os óbitos.
Doenças cardiovasculares continuaram muito relevantes, mas suas taxas de mortalidade caíram no período estudado.
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Contexto
A questão explora a diferença entre mortalidade proporcional e taxa de mortalidade. Mortalidade proporcional responde à pergunta “entre todos os óbitos, qual fração ocorreu por determinada causa?”. Já a taxa de mortalidade mede o número de mortes em relação à população e pode ser bruta ou padronizada por idade. Esses indicadores podem caminhar em direções diferentes.
No Brasil entre 1990 e 2010, a transição epidemiológica aumentou a participação relativa das doenças crônicas não transmissíveis entre todos os óbitos, enquanto as taxas de mortalidade por várias DCNT, especialmente doenças cardiovasculares, apresentaram redução quando analisadas de forma adequada. Isso é possível porque mortes por causas infecciosas, maternas, nutricionais e infantis caíram de forma importante, aumentando proporcionalmente o peso das DCNT mesmo quando parte de suas taxas específicas também diminuía.
Estudos nacionais do período mostram queda importante das taxas de mortalidade cardiovascular e manutenção das DCNT como principal componente da carga de doença. Portanto, a prova cobra que o candidato não confunda “maior proporção entre os óbitos” com “maior risco de morrer por DCNT por 100 mil habitantes”.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A participação proporcional das DCNT entre todos os óbitos aumentou no contexto da transição epidemiológica brasileira.
B) Incorreta. O aumento da mortalidade proporcional não significa que a taxa total de mortalidade por DCNT por 100 mil habitantes tenha aumentado. O período mostrou tendência de redução das taxas ajustadas para importantes grupos de DCNT.
C) Incorreta. As doenças cardiovasculares permaneceram como causa dominante, mas suas taxas de mortalidade tiveram queda relevante no período.
D) Incorreta. Não houve aumento geral das taxas de mortalidade por DCNT entre homens que justifique essa afirmação como tendência nacional do período.
E) Incorreta. O mesmo vale para mulheres: a mudança central foi o aumento da participação proporcional das DCNT, não uma elevação global da taxa por 100 mil mulheres.