Paciente de 60 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica não tratada, foi trazido à Emergência por pressão arterial elevada e dor retroesternal há mais de 30 minutos, acompanhada de sudorese e mal-estar. O eletrocardiograma realizado (imagem abaixo) mostra

Pegadinha central: T bifásica ou profundamente invertida e simétrica em V2-V4, no contexto certo, deve acender alerta para Wellens, não ser chamada de strain hipertensivo automaticamente.
Wellens sugere doença crítica da descendente anterior e alto risco de infarto anterior extenso.
Não faça teste de esforço em suspeita de Wellens; a estratégia é avaliação coronariana invasiva conforme o risco.
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Contexto
O eletrocardiograma apresentado mostra, conforme a leitura proposta pela questão, ondas T bifásicas em V2 e V3 e inversões profundas, simétricas de T nas precordiais mais laterais. Em um paciente com dor torácica típica prolongada e sintomas autonômicos, esse conjunto deve ser interpretado como padrão isquêmico de alto risco, compatível com padrão de Wellens e associado a lesão crítica da artéria descendente anterior, classicamente em segmento proximal.
O padrão de Wellens tem duas morfologias clássicas: T bifásica, inicialmente positiva e depois negativa, principalmente em V2 a V3; ou inversões profundas e simétricas de T, mais frequentemente em V2 a V4 e podendo se estender. A descrição clássica foi feita muitas vezes em períodos sem dor, com pouca elevação do segmento ST e sem ondas Q precordiais extensas. O ponto de prova, porém, é reconhecer que essas alterações de repolarização em contexto clínico de síndrome coronariana aguda não são simples consequência de hipertrofia ventricular esquerda.
A diretriz ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI de síndrome coronariana aguda de 2025 mantém a necessidade de avaliação invasiva conforme o risco em SCA sem supradesnivelamento. Em um padrão de Wellens, teste ergométrico não deve ser usado para provocar isquemia, pois há risco de precipitar infarto extenso. O paciente requer manejo hospitalar de SCA, biomarcadores seriados, terapia antitrombótica conforme indicação e definição anatômica coronariana precoce.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hipertensão crônica pode produzir hipertrofia ventricular esquerda e alterações secundárias de ST-T, mas isso não explica adequadamente o padrão simétrico e bifásico de T em um paciente com dor torácica típica aguda.
B) Incorreta. A alternativa tenta atribuir o traçado predominantemente à sobrecarga ventricular e a uma zona inativa antiga, além de propor apenas controle ambulatorial. O contexto clínico e as alterações de T exigem abordagem de síndrome coronariana aguda.
C) Correta (gabarito). As ondas T bifásicas em V2-V3 e as inversões simétricas nas precordiais configuram o padrão de alto risco que a prova identifica como Wellens, associado a lesão grave da descendente anterior e necessidade de manejo invasivo precoce.
D) Incorreta. Chamar essas alterações de mera sobrecarga e liberar o paciente ignora dor torácica típica prolongada e um padrão eletrocardiográfico isquêmico de alto risco.
E) Incorreta. O traçado não contém apenas sinais de necrose antiga. As alterações de repolarização precordiais são o achado decisivo e exigem investigação urgente.