Paciente de 37 anos, institucionalizado por transtorno psiquiátrico, foi trazido à Emergência por impactação alimentar no esôfago. A cuidadora relatou que o paciente “tinha comido um pedaço de costela sem osso e que a carne tinha entalado”. Em seu histórico (com cerca de 18 anos), constavam queixa de pirose, regurgitação e uso crônico de omeprazol de maneira irregular. Endoscopia digestiva alta realizada há 7 anos evidenciara hérnia hiatal de médio porte e esofagite péptica grau D (Classificação de Los Angeles). Provavelmente o quadro foi decorrente de doença do refluxo gastroesofágico severa, de longa data e com tratamento irregular. Considere as possíveis causas para a obstrução que provocou a impactação alimentar.
I - Estenose péptica do esôfago
II - Anel de Schatzki
III - Carcinoma epidermoide da junção esofagogástrica
Pegadinha central: DRGE crônica se associa a Barrett e adenocarcinoma; carcinoma epidermoide é outra via carcinogênica.
Disfagia intermitente para sólidos com impactação de carne lembra anel de Schatzki.
DRGE grave de longa duração pode cicatrizar com fibrose e formar estenose péptica distal.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
DRGE grave e prolongada causa lesão inflamatória repetitiva da mucosa esofágica. A cicatrização com fibrose pode produzir estenose péptica, geralmente distal, que se manifesta com disfagia progressiva e pode facilitar impactação alimentar. O anel de Schatzki é um anel mucoso fino localizado na junção esofagogástrica e também se apresenta tipicamente com disfagia intermitente para sólidos e episódios de impactação de carne.
A associação neoplásica clássica da DRGE crônica é a sequência metaplasia intestinal de Barrett, displasia e adenocarcinoma do esôfago distal ou da junção esofagogástrica. Carcinoma epidermoide relaciona-se mais fortemente a tabagismo, álcool, acalasia, ingestão de cáusticos e outros fatores, não à sequência típica do refluxo crônico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Apenas a assertiva I é verdadeira, mas a II também pode estar associada ao quadro de disfagia e impactação alimentar.
B) Incorreta. Apenas a assertiva II é verdadeira, mas a estenose péptica da assertiva I é uma complicação clássica de DRGE grave.
C) Incorreta. A assertiva III está errada porque o tumor relacionado à metaplasia de Barrett e DRGE crônica é predominantemente o adenocarcinoma, não o carcinoma epidermoide.
D) Correta (gabarito). Estenose péptica e anel de Schatzki são causas estruturais compatíveis com disfagia para sólidos e impactação alimentar, especialmente em paciente com história prolongada de refluxo e esofagite grave.
E) Incorreta. Inclui a assertiva III, que atribui à DRGE um carcinoma de histologia inadequada para essa associação clássica.