Paciente de 38 anos, em tratamento de tendinite de ombro, consultou com o médico de família na Unidade Básica de Saúde. Informou vir fazendo uso de anti-inflamatórios e estar preocupada com o risco de tornar-se hipertensa, razão pela qual desejava realizar exames preventivos (eletrocardiografia, mamografia e exames de sangue). Não apresentava outros problemas de saúde. Relatou história familiar de hipertensão arterial sistêmica, mas não de câncer de mama, e negou tabagismo. Em relação à vacina antitetânica, o último reforço fora realizado há 15 anos. O exame físico foi normal, e a pressão arterial era de 115/70 mmHg.
A pegadinha é classificar todo rastreamento como prevenção secundária sem perguntar antes se há indicação de rastrear aquela pessoa. Evitar um rastreamento inadequado é prevenção quaternária.
Vacina, inclusive reforço antitetânico, é prevenção primária.
Rastreamento indicado em assintomáticos é prevenção secundária; redução de sequelas de doença já estabelecida é terciária.
Atualização brasileira de 2025: rastreamento mamográfico populacional prioritário de 50 a 74 anos, bienal.
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Contexto
Prevenção quaternária é a ação destinada a proteger a pessoa de intervenções médicas desnecessárias e de seus possíveis danos, como falsos positivos, cascatas diagnósticas, sobrediagnóstico e sobretratamento. Nesta questão, a paciente tem 38 anos, é assintomática e não apresenta história familiar de câncer de mama. Portanto, solicitar mamografia apenas como rastreamento de rotina não é a medida indicada.
Na recomendação populacional atual do SUS, atualizada pelo Ministério da Saúde e INCA em 2025, a faixa prioritária para rastreamento mamográfico é de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mulheres entre 40 e 49 anos podem ter acesso ao exame após orientação individual sobre riscos e benefícios, mas isso não transforma uma mulher de 38 anos, assintomática e de risco habitual, em candidata a rastreamento mamográfico rotineiro.
A paciente também está com reforço antitetânico atrasado. O Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde recomenda, para quem completou o esquema, reforço com dT a cada 10 anos, podendo ser antecipado para 5 anos em situações específicas de maior risco. Logo, o reforço vacinal é indicado, mas é uma ação de prevenção primária.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Eletrocardiografia em pessoa assintomática e de baixo risco não é uma medida de prevenção primária. Prevenção primária busca impedir o aparecimento da doença, como vacinação e redução de fatores de risco.
B) Incorreta. Mamografia de rastreamento é conceitualmente prevenção secundária quando realizada na população para a qual o rastreamento é recomendado. O problema é que, aos 38 anos e com risco habitual, esta paciente não tem indicação de mamografia de rastreamento rotineira.
C) Incorreta. O reforço antitetânico está indicado porque a última dose foi há 15 anos, mas vacinação é prevenção primária, não secundária.
D) Incorreta. Explicar por que um ECG desnecessário não deve ser realizado é um exemplo de prevenção quaternária, pois evita investigação sem benefício esperado e seus possíveis desdobramentos. Não é prevenção terciária.
E) Correta (gabarito). Explicar que não há indicação de mamografia de rastreamento de rotina para uma mulher de 38 anos, assintomática e de risco habitual evita um exame sem indicação e seus potenciais danos. Isso caracteriza prevenção quaternária.