Paciente masculino, de 52 anos, consultou por sangramento e protrusão de mamilos durante as evacuações, os quais retornavam para o canal anal espontaneamente após a defecação. Vinha apresentando esse quadro há 3 anos. Negou alteração de hábito intestinal e perda de peso e informou não haver história familiar de neoplasia.
Pegadinha central: prolapsou e voltou sozinho = grau II; precisou empurrar = grau III.
Hematochezia não deve ser automaticamente chamada de hemorroidária, sobretudo em paciente que já tem indicação de rastreamento colorretal.
Hemorroida interna: anuscopia ajuda no diagnóstico; ultrassom endoanal não é exame de rotina.
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Contexto
O quadro descreve hemorroidas internas com sangramento e prolapso durante a evacuação. A classificação de Goligher é definida pelo comportamento do prolapso: grau I não prolapsa; grau II prolapsa ao esforço e reduz espontaneamente; grau III exige redução manual; grau IV permanece prolapsada e irredutível. Como os mamilos retornam espontaneamente após defecar, o caso é grau II, não grau III.
O segundo eixo da questão é o sangramento retal. A diretriz da American Society of Colon and Rectal Surgeons de 2024 enfatiza que hematochezia não deve ser automaticamente atribuída a hemorroidas. A avaliação endoscópica completa é indicada em pacientes selecionados, especialmente quando há necessidade de rastreamento colorretal ou quando a história não permite excluir outra fonte. Aos 52 anos, este paciente já está na faixa etária de rastreamento de câncer colorretal, portanto a colonoscopia é apropriada mesmo sem história familiar.
Pesquisa de sangue oculto é teste de rastreamento em pessoas sem sangramento manifesto, não um método para confirmar uma hematochezia que o paciente vê. O diagnóstico de hemorroidas é clínico, complementado por inspeção, toque retal e anuscopia; ultrassonografia endoanal é reservada a outras perguntas anatômicas, sobretudo avaliação esfincteriana.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O sangramento já é macroscópico. Pesquisa de sangue oculto não serve para confirmar hematochezia visível e não substitui a investigação etiológica apropriada.
B) Correta (gabarito). Aos 52 anos, o paciente está em idade de rastreamento colorretal e apresenta sangramento retal. Mesmo havendo hemorroidas prováveis, a colonoscopia é indicada para não atribuir o sintoma a uma causa benigna sem excluir lesões colorretais relevantes.
C) Incorreta. A redução espontânea caracteriza grau II. Grau III é o prolapso que precisa ser reduzido manualmente. Ligadura elástica pode ser utilizada em grau II sintomático que persiste apesar de medidas conservadoras, mas a classificação proposta está errada.
D) Incorreta. Hemorroida interna é diagnosticada por história, exame físico e anuscopia. Ultrassonografia endoanal não é o exame confirmatório de rotina.
E) Incorreta. Cronicidade isolada não determina cirurgia. Grau II costuma iniciar com fibra, hidratação e correção do hábito evacuatório; se persistente, procedimentos ambulatoriais, especialmente ligadura elástica, são opções eficazes. Hemorroidectomia é mais típica de doença externa importante ou prolapsada grau III a IV selecionada.