Primigesta com 35 semanas de gestação única procurou atendimento por perda de líquido por via vaginal. No pré-natal, apresentara episódio de infecção urinária por Streptococcus agalactiae do grupo B (EGB), sem outras intercorrências. Ao exame, o feto encontrava-se cefálico, com batimentos cardiofetais de 120 bpm e dinâmica uterina ausente; o exame especular mostrou pequena quantidade de líquido esverdeado (coletado em fundo vaginal) e colo conservado. A avaliação do bem-estar fetal é tranquilizadora nesse momento.
Mecônio não significa cesárea: quem decide a urgência é a condição fetal e obstétrica.
Bacteriúria por EGB na gestação atual garante indicação de profilaxia intraparto.
Em RPM pré-termo tardia, o momento da resolução e o método de indução podem variar entre protocolos atuais; a prova adota resolução após 34 semanas com ocitocina.
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Contexto
O quadro é de ruptura prematura de membranas pré-termo tardia, com 35 semanas, feto cefálico, ausência de trabalho de parto e avaliação fetal tranquilizadora. O líquido esverdeado sugere mecônio, mas mecônio isolado, sem alteração da vitalidade fetal, não é indicação de cesariana. A via vaginal continua preferível quando não existe contraindicação obstétrica.
O segundo ponto decisivo é a história de bacteriúria por Streptococcus agalactiae, o estreptococo do grupo B. Bacteriúria por EGB em qualquer momento da gestação é indicação de profilaxia antibiótica intraparto, independentemente de cultura retovaginal posterior. Em pacientes com indicação de resolução, a profilaxia não deve atrasar o parto apenas para completar quatro horas de antibiótico.
O gabarito foi construído sobre o paradigma de resolução da gestação após 34 semanas e de indução com ocitocina após ruptura das membranas. O ACOG Practice Bulletin 217, reafirmado em 2026, permite individualizar a faixa de 34 a 36 semanas e 6 dias em casos selecionados, mas recomenda discutir os riscos infecciosos e, em pacientes colonizadas por EGB, desencoraja prolongar desnecessariamente a gestação. Além disso, alguns protocolos atuais aceitam prostaglandina para amadurecimento cervical quando o colo é desfavorável. Assim, a prova escolhe a ocitocina como método de indução, embora a escolha do método de amadurecimento possa variar conforme protocolo e Bishop.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A resolução da gestação por indução é a estratégia adotada pela prova para ruptura de membranas com 35 semanas. Como o feto está cefálico e a vitalidade é tranquilizadora, não há indicação de cesariana. A bacteriúria por EGB indica profilaxia intraparto. Na prática contemporânea, essa profilaxia costuma ser iniciada durante a condução para o parto, sem necessidade de esperar contrações espontâneas.
B) Incorreta. O item não considera o misoprostol como método de escolha e privilegia a ocitocina após ruptura das membranas. Em protocolos atuais, prostaglandinas podem ser consideradas para colo desfavorável, portanto a inadequação desta opção é dependente do referencial da prova, não de uma proibição universal do misoprostol nesse cenário.
C) Incorreta. O tratamento conservador prolongado não é a estratégia escolhida pelo exame em 35 semanas. Corticosteroide no prematuro tardio pode ser considerado em situações selecionadas segundo protocolos atuais, mas isso não transforma a paciente em candidata obrigatória à manutenção expectante da gestação.
D) Incorreta. Não há indicação de cesariana apenas pela ruptura de membranas ou pela presença de mecônio com avaliação fetal tranquilizadora. A via de parto segue critérios obstétricos.
E) Incorreta. A profilaxia para EGB está indicada, mas não existe razão para programar cesariana após quatro horas. O objetivo das quatro horas é otimizar a exposição antibiótica intraparto, nunca criar uma indicação de cesárea ou atrasar uma resolução necessária.