Sangramentos da primeira metade da gestação

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 26
HCPA · 2020

Paciente de 41 anos foi submetida a aspiração manual intrauterina (AMIU) por aborto incompleto de uma gestação de 8 semanas, tendo sido identificado, previamente, um embrião. Os exames pré-operatórios do dia indicaram hemoglobina de 10,6 g/dl, leucograma de 13.390 leucócitos/ml, sem desvio para a esquerda. Durante o procedimento, a única anormalidade observada foi o útero com consistência anormalmente amolecida. Na sala de recuperação anestésica, 15 minutos após o procedimento, a paciente estava com pressão arterial de 79/46 mmHg, frequência respiratória de 16 mpm e dor abdominal 7 em 10 na Escala Análogo-visual. Foi administrado analgésico e realizada reposição de volume com 1 litro de soro fisiológico. Uma hora depois, a pressão arterial era de 86/51 mmHg, e o índice de Glasgow, de 13. Ao toque vaginal, o sangramento era escasso, e a paciente apresentava dor à mobilização uterina.

Nesse caso,
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Após esvaziamento uterino, hipotensão persistente apesar de reposição volêmica, rebaixamento do nível de consciência e dor pélvica importante exigem tratar a paciente como instável. O gabarito interpreta a combinação de útero anormalmente amolecido, dor à mobilização uterina e deterioração sistêmica como abortamento infectado com sepse. Febre pode estar ausente, especialmente em apresentações graves ou muito precoces, e leucocitose isolada é pouco específica na gestação; o elemento que muda a gravidade é a repercussão orgânica, aqui representada por choque e Glasgow 13.

Na suspeita de infecção pós-abortamento com instabilidade, o princípio recomendado pela OMS em sua Abortion care guideline, 2ª edição de 2025, é antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, suporte hemodinâmico e controle do foco. Um esquema obstétrico clássico é clindamicina associada a gentamicina, com ampliação conforme gravidade, microbiologia local e resposta. Em paciente hipotensa, não se deve aguardar ultrassonografia eletiva nem limitar a conduta à observação.

Há diagnósticos diferenciais importantes diante de choque após AMIU, como hemorragia oculta por perfuração uterina, reação anestésica ou sangramento intra-abdominal. Na prática, a investigação e o suporte são simultâneos. Entre as alternativas fornecidas, porém, a opção que reconhece a síndrome infecciosa sistêmica e oferece tratamento imediato é a E.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Mola hidatiforme completa classicamente não apresenta embrião identificável, porque decorre de material genético predominantemente paterno sem desenvolvimento embrionário viável. A pesquisa de p57 pode auxiliar na diferenciação anatomopatológica de mola completa, mas não explica o choque e a dor uterina aguda deste caso, nem deve atrasar o tratamento da instabilidade.

B) Incorreta. Gestação heterotópica exige coexistência de gestação intrauterina e ectópica. Não há dado clínico ou ultrassonográfico que a sustente no enunciado, e a alternativa ignora os sinais de infecção uterina e repercussão sistêmica.

C) Incorreta. Nova curetagem não é indicada apenas porque houve hipotensão. O sangramento vaginal é escasso, e não há evidência de retenção de restos como causa dominante. Repetir instrumentação uterina em paciente instável sem definir a etiologia pode agravar complicações.

D) Incorreta. Hipotensão persistente e alteração do sensório são sinais de disfunção orgânica. Essa paciente não é candidata a simples observação por 24 horas aguardando ultrassonografia.

E) Correta (gabarito). O quadro é tratado como abortamento infectado com sepse. Clindamicina e gentamicina intravenosas oferecem cobertura ampla para flora polimicrobiana, e devem ser associadas a suporte hemodinâmico e avaliação imediata da necessidade de controle adicional do foco.

Bizu MedBoard
  • Após abortamento, choque + dor uterina + sinais sistêmicos = trate infecção grave enquanto investiga outras causas de instabilidade.

  • Febre ausente não exclui sepse.

  • Paciente instável não fica em observação eletiva nem espera exame de imagem antes das medidas de suporte e antibiótico.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sangramentos da primeira metade da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →